Angola atinge auto-suficiência na produção de carne em 2026

Angola prevê atingir a auto-suficiência em animais para abate, dentro de nove anos, a fim de garantir a disponibilidade de carne de produção nacional e substituir as importações deste produto e seus derivados, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Agricultura e Florestas (Minagrif), Marcos Nhunga.

Para o alcance deste objectivo, o titular da pasta da Agricultura disse que o sector começou a repovoar, com gado, o Planalto de Camabatela (província do Cuanza Norte), cujo matadouro foi inaugurado a 11 de Agosto deste ano, e construíram infra-estruturas similares de menor dimensão e capacidade nas províncias de Luanda (município de Viana), Cuanza Sul (município de Porto Amboim) e Malanje (Malanje), que concorrem para o mesmo fim.

Este ano (2017), segundo o ministro, o país produziu mais de 2,1 milhões de quilogramas de carnes diversas, sendo 77. 958 Kg de carne bovina, 41.357 kg de carne suína, 93.711 kg de carne caprina, 24.847 de carne de ovinos e um milhão, 936 mil e 176 quilogramas de frango.

Marcos Nhunga não precisou as quantidades de carne necessárias para fazer face à demanda do país, mas a directora do Instituto dos Serviços de Veterinária (ISV), Bernardete de Lassalete Gourgel da Silva Santana, socorrendo-se do último censo da agricultura, estimou que se precisava, no mínimo, de 10 kg de carne/ano para cada cidadão, tendo em conta os dois milhões e 800 mil cabeças de gado registadas.

Entretanto, adiantou que em 2018 será realizado um novo censo, para determinar o efectivo animal do país, a fim de saberem as necessidades para a auto-suficiência de carne animal.

Em relação à produção alimentar, o ministro, que falava na cerimónia de balanço das actividades do sector, disse que a visão do sector é que nos próximos 10 anos o país alcance a auto-suficiência alimentar nos principais produtos que o país pode produzidos, muitos dos quais compõem a sexta básica.

Esse objectivo será alcançado com a produção local de sementes melhoradas de alto rendimento, implantação de uma ou mais fábricas de adubos, correcção dos solos, implantação, no país, de uma ou mais linhas de montagem de tractores, unidades de produção de sistemas de irrigação, e de pelo menos duas indústrias de charruas, catanas, enxadas, limas, entre outros instrumentos e equipamentos agrícolas.

Constituem também pressupostos para se atingir os objectivos do Ministério em 2018, a redefinição do modelo de orçamentação e de financiamento para o sector, subsídio aos combustíveis, seguro agrícola e aprovação das carreiras específicas de ingresso de novos quadros.

Em relação à “Campanha Agrícola”, que a partir deste ano passa a designar-se “Ano Agrícola”, foram trabalhados na campanha agrícola 2016/2017 cinco milhões, 760 mil e 585 hectares (ha), registando um aumento de 2,4 porcento em relação à área estimada para o período anterior.

Dessa área, o sector agrícola familiar é responsável por cerca de 90% correspondente a cinco milhões, 183 mil e 398 hectares e o sector agrícola empresarial cerca de 10% da área cultivada nacional.

Do total da área cultivada, durante a campanha agrícola 2016/2017, foram colhidas cinco milhões, 98 mil e 839 de hectares, o equivalente a 89% da área com culturas que atingiram a fase de colheita.

Nas fileiras dos cereais, umas principais, este ano foram produzidos dois milhões, 507 mil e 637 toneladas, um aumento de 5,9% em relação à campanha anterior. Quanto às raízes e tubérculos atingiu-se 10 milhões, 805 mil e 419 toneladas, correspondendo a um aumento de 2,6 porcento.

Já as leguminosas, cifraram-se 567 mil e 372 toneladas, uma baixa na ordem de 12,1 porcento, devido às chuvas excessivas registadas durante os últimos 10 dias do mês de Março e no segundo decêndio de Abril, período em que as culturas dessa fileira, com destaque para o feijão, que se encontram em fase de maturação e secagem das favas.

Minagrif é a nova designação do Ministério da Agricultura e Florestas, resultante da actual orgânica do novo Executivo saído das eleições de 23 de Agosto de 2017. Já foi Minader (Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural) assim como já foi Minagri (Ministério da Agricultura). (Angop)

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