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A peça “Mufuka” entre os ambundus

A peça “Mufuka”, uma espécie de enxota-moscas ou abano, que também pode ser designado como cabo-de-caudas, apresentada como uma figura antropomórfica feita de madeira (representando um soba), é a “Peça do Mês” de Dezembro do Museu Nacional de Antropologia, localizado na baixa da cidade de Luanda.

“Mufuka” é ligada com latão à cauda de animal de grande porte como o Búfalo, que tem um simbolismo ajustado aos valores que caracterizam o chefe tradicional como a força, bravura e valentia.
De acordo com pesquisas e recolhas feitas pelos técnicos do Museu Nacional de Antropologia, “Mufuka” é uma peça simbólica que pertence ao grupo etnolinguístico dos Ambundu e representa o poder tradicional.

O chefe é sagrado, por isso, à volta de uma entidade tradicional e não só, nada de impuro (rancores, ódios, invejas e bruxarias) pode estar em contacto com o seu corpo. O poder político e tradicional está estreitamente relacionado com o pensamento religioso. Assim, pode-se observar símbolos tradicionais de poder, como elementos de culto e prática místicas.

Os males e infortúnios na sua comunidade são afastados pelo chefe tradicional com a “Mufuka”, que se manuseia com destreza tanto na posição de sentado como em marcha. Essa peça funciona como um verdadeiro e poderoso amuleto repulsivo.
O mesmo artefacto pode afastar uma grande tempestade, as nuvens do aguaceiro, as balas e armas de arremesso. Uma chicotada da
“Mufuka”, pode prejudicar, como também pode trazer boa sorte e objectos a uma pessoa.

Brandir a “Mufuka” no ar, de acordo com a imploração do seu possuidor, pode abrir um espaço puro e isento de perigos numa zona carregada de forças mágicas agressivas. Assim sendo, a “Mufuka” é uma tremenda arma de defesa e ataque, quando manejada pelo seu dono. É uma verdadeira insígnia de autoridade na medida em que apenas o soba é detentor do seu uso. O utensílio, tem a função de manter a inviolabilidade da pessoa do chefe tradicional e tudo quanto diz respeito ao cargo que ele exerce. O “Mufuka”, trata-se de uma peça mágica!

Actividades lúdicas
A educadora de infância do ATL Green Kids, Carla Sebastião disse, ao Jornal de Angola, que dentro das responsabilidades sociais da instituição, a visita aos museus faz parte do programa das actividades lúdicas e socioculturais destinado as crianças com idades compreendidas entre os três e os 11 anos.

A visita ao museu, disse Carla Sebastião, é “um complemento educativo que vai reforçar o processo de socialização das crianças e das suas aprendizagens a par do que aprendem na instituição.”

A educadora afirmou que a Green Kids pretende dar continuidade a visitas a outras instituições do género no próximo ano, por formas a ajudar a criar nas crianças o hábito e o gosto por peças museológicas. “Depois os mais crescidos vão ter que fazer uma redacção e explicar o que viu no museu. Os mais pequenos vão ter que reportar aquilo que ouviram durante a visita a instituição museológica”, disse Carla Sebastião.

António Domingo João, do departamento de Museologia e Conservação do Museu Nacional de Antropologia disse que durante a visita guiada, os pequenos foram informados de forma resumida, sobre a história do surgimento da instituição e apresentação dos vários departamentos existentes.

Como são ainda muitos pequenos, António Domingo João referiu que a aprendizagem das crianças deve ser feitas de uma forma agradável e lúdica, promovendo a imaginação e a criatividade de cada uma. “É preciso estar com elas, saber escutar as suas experiências e os seus sonhos, tentar minimizar as suas in­quietações e saber viajar no mundo de imaginação e aventura que elas vivem”.

No final da visita, as crianças do ATL Green Kids assistiram a um vídeo que descreve o quotidiano dos diferentes grupos etnolinguísticos de Angola, com destaque para os Bakongo, Ambundu, Ovimbundu, Lunda Cokwe, Ovingangela, Nyaneka Khumbi, Helelo, Ovambó e San-Kung.

O Museu Nacional de Antropologia tem, fundamentalmente, por objectivo a divulgação de conteúdos antropológicos históricos e da biodiversidade, o que convida a reflectir sobre a sua importância como agente socializador da sociedade, bem como seu contributo para a preservação da história dos povos de Angola.

O Museu Nacional de Antropologia localiza-se no bairro dos Coqueiros, na cidade de Luanda.
Fundado em 13 de Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada após a independência de Angola ocorrida um ano antes.

Esta instituição de carácter científico, cultural e educativo está vocacionada para a recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural angolano. (Jornal de Angola)

por Manuel Albano

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