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Crise de segurança no Rio: ‘estamos vivendo uma guerra irregular’, diz especialista

O especialista em segurança, inteligência e estratégia, diretor da empresa Tróia Intelligence, Ricardo Gennari, conversou com a Sputnik Brasil sobre o projeto do governo que prevê a permanência das Forças Armadas no Rio de Janeiro mesmo após o fim do governo de Michel Temer em 2018.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, defendeu nesta terça-feira (13) a continuidade da atuação das ações das Forças Armadas no Rio de Janeiro mesmo após o fim do Governo de Michel Temer.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista em segurança, inteligência e estratégia, Ricardo Gennari, comentou a controversa classificação de que o Rio de Janeiro estaria vivendo uma guerra. De acordo com ele, a situação no Rio diz respeito a uma “guerra irregular”.

“Quando a gente fala do conceito guerra, a gente não vive uma guerra regular […] a gente vive uma guerra irregular. Tem muita gente que faz estudos comparativos disso com guerrilha, porque o tipo de armamento que se usa hoje é de fuzil pra cima”, declarou.
“Estamos falando de uma armamento de guerra, uma guerra irregular. A gente pode usar outros nomes, mas é um conflito que a gente está vivendo. As crianças não podem ir pra escola, as pessoas não podem ir pra praia. Então isso é muito complicado. Isso traz insegurança, insatisfação, pouco investimento”, acrescenta.

Em relação aos planos do governo de manter as Forças Armadas no Rio mesmo após o fim do governo de Michel Temer em 2018, o especialista atentou para os riscos desse tipo de operação sem contar com a integração efetiva das forças de segurança e inteligência.

“As Forças Armadas são o último guardião de qualquer sociedade, e quando você coloca o último, na hora em que ele for desafiado e na hora em que ele for vencido, nós não teremos mais ninguém pra defender […] Não adianta colocar Forças Armadas, polícias, o que quiser, se não tiver uma integração real. Se não tiver uma disponibilidade do Estado, dos governantes, a gente já tá perdendo a batalha, e a gente tá a caminho de perder a guerra”, afirmou Gennari.

Ao comentar a origem dos recursos para financiar as operações militares no Rio de Janeiro, o especialista comentou o projeto que prevê que os recursos financeiros venham dos tributos pagos pelas indústriais de material bélico.

De acordo com ele, trata-se de “um projeto interessante, muito eficaz”. “Agora, nós estamos no Brasil, vamos ver se isso realmente vai acontecer. Se esses recursos vão aparecer e se esses recursos serão distribuidos para a segurança pública do país”, ponderou.

Desde julho, as Forças Armadas, a Força Nacional de Segurança Pública, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal realizam operações em conjunto com a Polícia Civil e a Polícia Militar, no combate ao crime organizado. (Sputnik)

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