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Entrega do Nobel da Paz é marcada por relato comovente

Campanha contra armas nucleares recebe o prémio em cerimónia em Oslo, com relato de mulher que sobreviveu à bomba nuclear lançada contra Hiroshima. Japonesa define armas nucleares como “mal extremo”.

A Campanha Internacional pela Abolição de Armas Nucleares (Ican, da sigla em inglês) recebeu neste domingo (10/12) o Prémio Nobel da Paz em Oslo e apelou que as potências atómicas se somem ao tratado de proibição desses arsenais para acabar com tal “ameaça” para a humanidade.

“Representamos a única escolha racional, representamos os que se recusam a aceitar as armas nucleares como um elemento do mundo. A nossa é a única realidade possível, a alternativa é impensável”, disse a directora-executiva da Ican, Beatrice Fihn. Ela alertou que o risco de que essas armas sejam usadas é maior agora que ao final da Guerra Fria, pela presença de mais países com arsenais nucleares, mais terroristas e pela guerra cibernética.

Fihn recebeu o Nobel em uma cerimónia emotiva ao lado de Setsuko Thurlow, de 85 anos, sobrevivente da bomba atómica lançada em 1945 pelos Estados Unidos sobre Hiroshima, no Japão. Ela definiu as armas nucleares como “o mal extremo” e usou sua experiência para pedir o fim de uma “loucura” intolerável.

Thurlow se referiu também à “enorme esperança” representada pelo tratado, em um discurso que comoveu os presentes à cerimônia realizada na câmara municipal de Oslo, entre eles os reis e príncipes herdeiros noruegueses e a guatemalteca Rigoberta Menchú, Nobel da Paz em 1992.

A sobrevivente japonesa falou da “lembrança viva” do bombardeio, a sensação de “flutuar” no ar, o colapso da sua escola, os gritos dos seus companheiros e seu sobrinho Eiji, de quatro anos, convertido em “um pedaço fundido de carne” que continuou pedindo água até morrer.

Mito da “guerra justa”

“Enquanto saía me arrastando, as ruínas ardiam. A maioria dos meus companheiros de classe morreu, foram queimados vivos. Vi ao meu redor uma devastação total, inimaginável”, relatou.

Sua cidade natal – e com ela familiares e 351 colegas da escola – foi apagada, e nos anos seguintes milhares de pessoas morreram devido às consequências da radiação, “que ainda hoje continua matando”.

Thurlow também criticou o “mito” de que as de Hiroshima e Nagasaki foram “bombas boas” que acabaram com uma “guerra justa” e as culpou pela “desastrosa” corrida ao armamento nuclear.

O prémio Nobel é distribuído em seis categorias. Na tarde deste domingo, o rei Carlos Gustavo, da Suécia, entregou em Estocolmo os prémios aos destacados neste ano nos campos da Medicina, Física, Química, Economia e Literatura. Cada Nobel é dotado de 945 mil euros. (DW)

RW/efe/dpa/dw

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