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Consumo excessivo de álcool em São Tomé e Príncipe é um aspeto cultural difícil de mudar – Bispo

O bispo da diocese de São Tomé e Príncipe, Manuel António, considerou hoje o hábito de consumo excessivo de álcool no país como “um aspeto cultural difícil de mudar”, além de ser “um negócio que gera muito dinheiro”.

“O consumo de bebidas alcoólicas, de certo modo, faz parte da cultura do povo por várias razões e portanto não é fácil mudar esta cultura”, disse, em entrevista à Lusa.

Segundo o bispo, “infelizmente o álcool gera muito dinheiro” em São Tomé e Príncipe, estando entre os principais produtos importados pelo país.

“O álcool acaba por estar ligado à própria economia do país, mexe com os interesses e pode colocar em causa alguns negócios”, disse.

“Mas não podemos estar a condenar uma geração futura por causa de outros interesses”, defendeu.

Um estudo sobre consumo de álcool em ambiente escolar em África da investigadora da Faculdade de Medicina da universidade de Lisboa Isabel Santiago, revela que cerca de 58% dos rapazes e 43% das raparigas bebem excessivamente e com frequência em São Tomé e Príncipe.

De acordo com a autora, foi utilizada uma amostra de 2.064 de crianças e jovens no âmbito escolar e aplicou-se um inquérito aos estudantes do 8.º ano ao ensino superior, no ano letivo 2014/2015, com “total apoio” do Ministério da Educação, Cultura e Formação são-tomense.

Segundo Isabel Santiago, nos jovens na faixa etária 15-18 anos, “entre 39% e 46% bebem excessivamente e frequentemente”, enquanto nos jovens com mais de 19 anos “há uma percentagem superior a 63%”.

Para o bispo da diocese, o resultado deste estudo “não é uma surpresa”, sublinhando que desde que chegou ao país, em 1994, que se confronta com esta realidade.

“Aquilo que eu lamento é que são dados há muito conhecidos. Várias vezes, ao longo deste ano, cheguei a falar com alguns ministérios sobre a necessidade de se fazer campanhas sérias de esclarecimentos sobre os efeitos do álcool, com os problemas que isso causa às nossas crianças e não vejo até hoje que se tenha assumido com seriedade este problema do álcool como um caso de saúde pública”, disse.

Manuel António sustentou que “as pessoas deviam tomar consciência do que isso significa, incluindo outros aspetos que têm a ver com a própria alienação espiritual da pessoa”.

O bispo lamentou que as autoridades não assumam o problema do consumo excessivo do álcool no arquipélago como “um caso de saúde pública”.

“Até hoje não se assumiu com seriedade este problema do álcool como um caso de saúde pública, o álcool está presente na mesa de toda a gente e acaba por estar ligado muitas vezes a uma certa afirmação do poder”, disse.

O bispo considerou que o combate a este problema passa também pelo papel dos professores, que devem sensibilizar os alunos “para os dos malefícios do álcool”.

“Complica um pouco a situação quando temos uma sociedade em que mesmo a nível da classe de professores temos um grave problema de alcoolismo”, lamentou Manuel António.

O bispo disse ainda acreditar que a maior parte de casos de violência doméstica em São Tomé e Príncipe está ligada ao álcool: “normalmente quando há álcool numa casa, a violência doméstica está presente, há uma degradação de valores, uma degradação moral”.

Isabel Santiago encontra-se em São Tomé há duas semanas, onde desenvolve várias atividades, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) no âmbito da luta contra o consumo excessivo de álcool.

Formação para agentes da polícia e militares do exército, palestras com escuteiros, encontros com estudantes e comunidades estão na agenda de Isabel Santiago em São Tomé e Príncipe. (Diário e Notícias)

por Lusa

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