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Isabel dos Santos acusa Total de pretender ficar com postos mais rentáveis da Sonangol

A empresária Isabel dos Santos afirmou ontem que a petrolífera francesa Total pretende ficar com os postos de abastecimento mais rentáveis da Sonangol Distribuidora, num acordo com o grupo petrolífero estatal angolano.

Isabel dos Santos, que até 16 de novembro foi presidente do conselho de administração do grupo Sonangol, tendo sido então exonerada pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço, assumiu esta posição através do Twitter, uma das redes sociais que desde a sua saída da petrolífera tem utilizado para explicar o trabalho realizado em 17 meses.

De acordo com a empresária e filha do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, 85% do lucro da Sonangol Distribuidora, a subsidiária do grupo para a distribuição de combustíveis refinados, “vem de 75 postos de abastecimento”.

“E são esses que a Total pediu para ficar com eles. Vamos ver os próximos capítulos”, escreveu Isabel dos Santos, numa resposta, por sua vez, ao texto publicado no Twitter pelo atual ministro da Comunicação Social de Angola, João Melo, abordando o contrato assinado na segunda-feira, em Luanda, entre a nova administração da Sonangol, liderada por Carlos Saturnino, e a petrolífera francesa Total.

“O anúncio dos novos investimentos da Total em Angola é uma excelente notícia. Destaco também, em particular, a perspetiva da entrada da referida companhia na área da distribuição, tão logo o mercado seja liberalizado. O desmantelamento dos monopólios é imperioso”, lê-se no ‘post’ colocado pelo ministro João Melo.

As petrolíferas Sonangol e Total assinaram segunda-feira vários acordos de cooperação, entre os quais uma ‘joint-venture’ para a importação e distribuição em Angola de produtos refinados do petróleo.

Os acordos foram assinados em Luanda pelo presidente do conselho de administração da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), Carlos Saturnino, e pelo presidente diretor-geral da Total, Patrick Pauyanné.

Carlos Saturnino disse, na sua intervenção, que os acordos servem para o relançamento da cooperação entre as duas petrolíferas, para relançar também as atividades da indústria petrolífera de forma global, “tanto do ‘upstream’ como do ‘downstream’ e também algumas ações que terão impacto no ‘midstream’, mais diretamente relacionadas com a utilização do gás”.

Um segundo acordo tem a ver com relançamento da exploração petrolífera em Angola, através do bloco 48, tendo Carlos Saturnino recordado que os últimos blocos que o país lançou para exploração foram concluídos em dezembro de 2011.

Relativamente à ‘joint-venture’ para a distribuição e possível participação na importação de produtos refinados de petróleo, o presidente da Sonangol considerou a parceria entre as duas petrolíferas como muito importante, porque a nível da Sonangol Distribuidora e Sonangol Logística poderá ter impacto no redesenhar das estruturas organizacionais, do posicionamento estratégico no mercado para as duas subsidiárias.

“Vamos ver qual vai ser o comportamento com a introdução desse novo ‘player’ de maneira que isso vai ajudar-nos na delineação estratégica que serão feitas para estas empresas”, disse, salientando que esta iniciativa terá igualmente impacto em outras atividades desenvolvidas com o Ministério da Energia e Águas, para onde grande parte do gasóleo importado é destinado para a produção de eletricidade.

“Tudo isto faz parte da mesma cadeia que estamos a analisar para melhorar o abastecimento no país, melhorar a eficiência, evitar estrangulamentos e também queremos ver se conseguimos baixar os custos, a fatura mensalmente gasta pelo estado para a importação de produtos derivados do petróleo”, salientou. (Diário de Notícias)

por Lusa

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