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Presidente do Zimbabwe escolhe homens de confiança

O novo Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa apresentou ontem de manhã o seu primeiro Governo para liderar o país e preparar as eleições de 2018, fugindo aquilo que se pensava pudesse ser o seu “padrão normal”.

Ao escolher para os cargos mais importantes antigos militares, o novo Presidente do Zimbabwe fugiu um pouco aquilo que se esperava fosse o figurino a seguir, até para corporizar as promessas que haviam sido feitas de empenho na recuperação económica e de relançamento da agricultura.

Em vez de técnicos, Emmerson Mnangagwa optou por escolher homens da sua estreita confiança, na sua maioria antigos militares conotados com actos relacionados com aquilo que foi a governação de Robert Mugabe, cujo “fantasma” teima em prevalecer na política zimbabweana.

Assim, para ministro dos Negócios Estrangeiros, o novo Presidente escolheu o general Sibussio Moyo, que recentemente ficou famoso por aparecer como um dos militares que decretou a prisão domiciliária de Robert Mugabe. Para a importante pasta da Agricultura e Assuntos da Terra, escolheu o antigo chefe da Força Aérea, Perence Shiri. Trata-se de um oficial que serviu sob as ordens de Robert Mugabe e que muitos rotulam de “traidor” por estar por detrás do seu recente pedido de demissão. Em comum, estes dois homens têm o facto de serem os mentores da poderosa Associação dos Antigos Militares e Veteranos de Guerra, que muitos consideram responsável pelas atrocidades que ocorreram no interior do país, nomeadamente com assassinatos e expropriações de terras dos fazendeiros brancos.

Outro nome polémico indicado por Emmerson Mnangagwa é o de Chris Mutsvangwa que foi nomeado ministro da Informação. Trata-se de um dos principais propagandistas do regime de Robert Mugabe, membro influente da referida Associação dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra que durante vários anos foi responsável pela publicação de diversos artigos anónimos a atacar as forças da oposição e a apoiar as acções do Governo no tocante ao corte da liberdade de expressão e de manifestação.

A oposição já reagiu a estas nomeações e um dos principais líderes do MDC, Tendai Biti, disse ter sido uma “oportunidade perdida” pelo novo Presidente para mostrar que, efectivamente, “está empenhado numa verdadeira mudança”. Tendai Biti, que foi ministro das Finanças no Governo inclusivo saído das eleições de 2007, sublinhou que o Presidente Emmerson Mnangagawa “falou uma coisa e fez outra”, condenando aquilo que diz ser a “recompensa” que foi dada a um “grupo de militares” que sempre “espezinharam os interesses e as esperanças do povo zimbabweano”. Mais radical foi a reacção de Trevor Ncube, proprietário de três jornais independentes, que considerou as escolhas de Emmerson Mnangagwa uma “compensação” para o trabalho que a Associação dos Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra fez durante os confrontos dos anos 80 e que resultaram na morte de cerca de 20 mil civis na região de Matebeleland por se terem insurgido e manifestado contra a governação de Mugabe.

Para as Finanças e Planeamento Económico, foi indicado o nome de Patrick Chinamasa, o homem que dirigiu a última e conturbada reunião do comité central da ZANU-PF que acabou por expulsar mais de 40 pessoas, entre as quais Robert e Grace Mugabe, dos cargos que então ocupavam no partido. Patrick Chinamasa desempenhou várias funções durante a liderança de Robert Mugabe, sendo considerado como um dos quadros mais radicais do partido no poder e um homem que já admitiu ter “algumas ambições políticas”. Foi ainda um dos principais impulsionadores, enquanto responsável das Finanças, pelo processo de expropriação de terras aos fazendeiros brancos.

Por sua vez, para os Assuntos Internos e Cultura foi indicado Obert Mpofu. Trata-se de uma transição do anterior Executivo, o mesmo sucedendo com Lazarus Dokora, que continua à frente do Ministério do Ensino Primário e Secundário.
David Parinrenyatwa permanece como ministro da Saúde e dos Cuidados com a Criança, enquanto Kembo Mohadi é o novo ministro da Defesa, Segurança e Veteranos de Guerra.

Kembo Mohadi é um “velho” companheiro de Mnangagwa que é chamado ao Governo para coordenar a difícil relação que as Forças Armadas sempre têm mantido com a Polícia e que, por vezes, são rastilho para situações de enorme perturbação social. Outro cargo importante entregue a um antigo homem de confiança de Robert Mugabe é o de ministro de Estado junto da Presidência da República e de Monotorização do Programa de Governo.

Quem o assumiu é Simbarashe Mumbengegwi, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros e durante muitos anos o “rosto” do Zimbabwe nas reuniões internacionais, sobretudo a nível das Nações Unidas.

Oposição fica fora do novo Executivo

Contrariamente ao que a oposição esperava e admitia mesmo como certo, a verdade é que nenhum dos seus elementos foi escolhido para integrar o primeiro Governo liderado por Emmerson Mnangagwa.

Segundo o que o Jornal de Angola apurou junto de alguns elementos da oposição, chegaram a existir contactos com alguns responsáveis da ZANU-PF mas que não tiveram consequências práticas devido a divergências quanto à categoria de representação.

A oposição queria preservar os seus principais líderes, mantendo-os mais empenhados nas tarefas partidárias, enquanto a ZANU-PF defendia que no Governo deveriam estar os melhores quadros de cada formação.
Outra das divergências relaciona-se com as pastas colocadas à disposição da oposição, persistindo aí as razões que fizerem frustrar a possibilidade de voltar a haver no Zimbabwe um Governo inclusivo.

Deste modo, a oposição zimbabweana vai agora empenhar-se activamente na preparação da sua participação nas eleições gerais (legislativas e presidenciais) do próximo ano, sem ter que se preocupar com as acções governativas que ficam exclusivamente entregues ao partido da União Nacional Africana do Zimbabwe-Frente Patriótica (ZANU-PF).

Quem vai estar mesmo com tarefas suplementares é a ZANU-PF, que além das funções governativas vai estar ocupada a preparar o seu congresso que decorrerá dentro de duas semanas e no qual serão eleitos os dirigentes que vão ocupar os cargos deixados em aberto com a saída do casal Mugabe e escolher os seus principais candidatos às eleições de 2018. (Jornal de Angola)

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