Seca castiga mais de 700 famílias no sul de Angola

Autoridades provinciais do Cunene admitem não ter capacidade de resposta à seca que assola aquela região e apelam ao Governo central. Cidadãos falam em mortes causadas pela fome.

Mais de 700 famílias na província do Cunene estão afetadas pela seca que assola a região sul de Angola, segundo o governador da província, General Kundi Paihama. A autoridade provincial alerta que, a nível local, não existem meios para acudir a população castigada e diz que vai pedir ajuda ao Governo central.

“Criámos um grupo de trabalho para fazer um estudo mais detalhado com a colaboração dos técnicos, especialistas, mas tem de ser o mais rapidamente possível. Vamos atacar não so a partir das nossas forças . Penso que também temos de pedir socorro ao Governo central, porque não temos meios”, esclarece.

O bispo católico da Diocese de Ondjiva, capital da província do Cunene, Dom Pio Hipunhaty, diz que não há alimentos para as pessoas e nem para os animais, “assim como falta água a mais de meio milhão de pessoas afetadas”.

Famílias migram para áreas menos afetadas pela estiagem

Perante as dificuldades, diz o bispo de Ondjiva, muitas pessoas optam pela migração, principalmente para “as margens do rio Cubango, Cunene e Cuvelai, onde ainda se pode encontrar algum alimento para o gado e alguma água”.

“As pessoas transferem-se para aquelas zonas, sobretudo os homens, para que o gado não morra. Isto faz com que os jovens em idade escolar abandonem as áreas tradicionais de residência, o que cria um estrangulamento social”, conta o religioso, destacando o facto de os jovens deixarem a escola por causa da seca.

Israel José, de 58 anos, é funcionário público na localidade do Curoca, região mais prejudicada pela seca. Ele diz que a estiagem está a obrigar muitos cidadãos, incluindo crianças, a abandonarem as suas casas nas zonas rurais em busca de trabalho nas cidades.

“As pessoas estão a abandonar as suas casas para as áreas urbanizadas, onde prestam trabalhos indecorosos, pesados. Até mesmo crianças abandonaram as suas aldeias e estão a trabalhar pesado, a fazer transportação de terra, de pedra, de areia, água. Também ajudam as vendedoras nos mercados paralelos para terem algo para comer”, denuncia o morador do Curoca.

Vítimas fatais

De acordo com Israel José, a fome já causou vítimas mortais devido à má nutrição. “As doenças oportunistas que encontram os organismos debilitados levam a vida das pessoas a origem disto é mesmo a fome, temos muitas pessoas que já morreram a fome”.

Maria Custódio Isabel da Silva, de 53 anos, professora no município de Curoca, também testemunhou a falta de alimentos. “Neste momento há pessoas que já não comem, estão mesmo com fome e haverá mais fome em todas as comunas”, alerta.

O ativista Josefa Tchivela apela à implementação de medidas para combater o problema. “É preocupante, muito preocupante. É necessário que haja programas que possam ultrapassar ou então reduzir em definitivo estas situações”. (DW)

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