Compra de viaturas de luxo gera nova polémica em Moçambique

Desde hoje ainda até amanhã, o governo moçambicano, está a prestar informações aos deputados, a ementa dos debates sendo dominada pela criminalidade, as dificuldades económicas do país e a corrupção, numa altura em que acaba de estalar uma nova polémica depois se tornar pública a compra pelo executivo de 45 viaturas de luxo através da Direcção Nacional do Património do Estado.

A aquisição desses veículos que abrange designadamente viaturas “Mercedes-Benz” e carros da marca “Ford Ranger” foi avaliada em 118 milhões de Meticais, cerca de 2 milhões de Euros, um valor que a imprensa local compara com os 132 milhões de meticais que devem ser dedicados à compra de autocarros de transporte público, os 50 milhões de meticais que devem ser aplicados na compra de carteiras escolares ou ainda os 40 milhões de meticais afectos ao orçamento do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades este ano.

Questionada sobre esta matéria, a Porta-voz do Conselho de Ministros Ana Comoana, distanciou-se desta operação declarando que “normalmente, as adjudicações são sectoriais” e que “o melhor seria estabelecer contactos com o sector em concreto que tem feito esta adjudicação para obter mais detalhes”. Mais tarde, em conferência de imprensa, o governo reagiu à polémica argumentando que esses veículos, tal como os carros adquiridos para a Assembleia da República tinham sido encomendados em 2015.

Efectivamente, no passado mês de Junho, foi revelada a também polémica compra de 18 viaturas topo da gama por 228 milhões de meticais, cerca de 4 milhões de Dólares, para os membros da Comissão Permanente da Assembleia da República.

Ambos os casos sucedem numa altura em que o executivo admite encontrar dificuldades em resolver o problema da dívida colossal herdada do governo anterior, com o FMI e os países doadores a manterem a suspensão do seu apoio por considerar que as autoridades moçambicanas não estão a fazer esforços suficientes no intuito de sanar a situação.

Refira-se entretanto que, paralelamente, esta sessão de dois dias do governo no parlamento debruça-se igualmente sobre a criminalidade, com especial ênfase sobre os ataques armados em Mocímboa da praia, bem como as acusações de parte a parte em torno da morte do edil de Nampula, Mahamudo Amurane, assassinado em pleno 4 de Outubro, Dia dos Acordos de Paz de Roma, por homens até aqui desconhecidos. Mais pormenores com Orfeu Lisboa. (RFI)

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