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A defesa de Granadeiro nos interrogatórios: o gestor achava “chique” ter conta na Suíça

Nos interrogatórios do caso Sócrates, Granadeiro justificou pagamentos de 24 milhões de euros. Diz que é amigo de Salgado, “apesar de ele estar leproso”, e que “nunca foi cabo de ordens de ninguém”.

Henrique Granadeiro, antigo presidente da comissão executiva e do conselho de administração da PT, é acusado pelo Ministério Público (MP) de ter sido alegadamente corrompido entre 2006 e 2011 por Ricardo Salgado para alegadamente beneficiar o Grupo Espírito Santo (GES) em diversos momentos da gestão da Portugal Telecom (PT). A oposição da administração da PT liderada por Granadeiro à OPA da Sonaecom à principal operadora portuguesa, o negócio da venda da Vivo e a entrada no capital social da empresa brasileira Oi são os dossiês onde os investigadores da Operação Marquês entendem que Henrique Granadeiro alegadamente favoreceu o GES a troco de uma soma total de cerca de 24 milhões de euros.

A todas aquelas imputações do MP, o ex-líder da PT respondeu com diferentes explicações. Desde pagamentos por serviços prestados (anos antes) em fábricas do grupo GES — como a recuperação da SECLA, uma fábrica de cerâmica nas Caldas da Rainha –, passando por serviços de consultadoria nos negócios agrícolas da família Espírito Santo no Brasil, Paraguai ou Portugal e terminando na alegada venda de uma parte do capital social da empresa que detém a Herdade do Vale do Rico Homem à sociedade offshore Espírito Santo (ES) Enterprises — o famoso e secreto ‘saco azul’ do GES –, vários foram os argumentos apresentados por Granadeiro para refutar as suspeitas da equipa do procurador Rosário Teixeira.

Ao longo do interrogatório, o antigo gestor admite que é amigo de Ricardo Salgado, mesmo após este estar “leproso”, conta que Sócrates queria mesmo que a PT comprasse a TVI (terá valido Granadeiro, que diz ter sido a “pílula do dia seguinte” do negócio), revelou que conheceu o ex-primeiro-ministro antes de este ser governante por ser namorado de Fernanda Câncio e ainda justifica ter contas bancárias em Genebra porque na altura era “chique ter uma conta na Suíça“.

Nas respostas que deu aos procuradores Rosário Teixeira e Inês Bonina e ao inspetor Paulo Silva (da Autoridade Tributária) repetiu várias vezes a expressão “Sempre vivi do meu dinheiro e só tenho o dinheiro que ganhei“. Disse, logo no início, que queria colaborar com a justiça e lembrou ao procurador que, na Comissão Parlamentar de Inquérito, foi o “único que assumiu responsabilidades” pelos investimentos realizados em papel comercial na Rioforte (a holding do GES para a área não financeira).

O interrogatório ao ex-gestor da PT foi realizado a 3 de março de 2017. Henrique Granadeiro é acusado pelo MP de ter cometido alegadamente oito crimes: um de corrupção passiva, dois de branqueamento de capitais, um de peculato, um de abuso de confiança e três de fraude fiscal qualificada. (Observador)

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