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Mnangagwa vai devolver as fazendas expropriadas

Mais de 60 mil pessoas assistiram ontem de manhã no Estado Nacional de Harare à tomada de posse de Emersson Mnangagwa no cargo de novo Presidente do Zimbabwe, que irá exercer interinamente até à realização das eleições previstas para Setembro do próximo ano.

Inicialmente prevista para decorrer na sede do Parlamento, numa cerimónia mais simples, a verdade é que as sucessivas manifestações populares obrigaram as autoridades zimbabweanas a trabalhar arduamente nas últimas 24 horas para que o maior número possível de pessoas pudesse assistir ao vivo à tomada de posse do novo Presidente.

“Eu, Emmerson Dambudzo Mnangagwa, juro pela minha honra defender a Constituição e as leis do Zimbabwe para garantir e promover a prosperidade do povo do meu país. Assim Deus me ajude”. Estas foram as palavras que proferiu durante o juramento solene perante o Presidente do Tribunal Constitucional, Luke Malaba, e das altas chefias das forças de defesa e segurança.
Um pouco por toda a cidade a população seguiu em directo a cerimónia através de telas gigantes estrategicamente colocadas e perante incontidas manifestações de entusiasmo.

No seu discurso de posse, Mnangagwa referiu-se directamente a Robert Mugabe, tratando-o por “pai” e “mentor”, agradecendo tudo o que ele fez pelo Zimbabwe e pedindo ao povo para que respeite o contributo que ele deu e “poderá continuar a dar” para a melhoria do país.

“Temos de respeitar o papel que ele desempenhou na luta pela nossa independência. Foram momentos muito difíceis, durante os quais ele mostrou toda a sua capacidade de liderança. Por isso merece o nosso respeito”, sublinhou. Noutra parte da sua intervenção, Emmerson Mnangagwa disse que vai ser o presidente de todos os zimbabweanos e elegeu a agricultura como o motor para a recuperação económica do país, prometendo devolver aos legítimos donos todas as fazendas que lhes foram expropriadas.
Acompanhado pela esposa, Auxilia, Emmerson Mnangagwa cumpriu todo o ritual que envolve uma cerimónia de tomada de posse de um novo presidente, desta vez testemunhada por poucos responsáveis internacionais, com excepção para os chefes de Estado de países vizinhos como a Namíbia, Zâmbia e Botswana, entre outros. Muito notada foi a ausência do Presidente Jacob Zuma, não só por ser o Presidente da África do Sul (vizinho do Zimbabwe) como também porque é o actual líder em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A pesar nessa decisão poderá estar a forma como Mnangagwa chegou ao poder. Que, quer se queira ou não, a verdade é que a saída de cena de Robert Mugabe, sobretudo a forma como ela foi desenhada, ainda divide algumas opiniões e carece de maiores pormenorizações.

Ainda ontem, as autoridades zimbabweanas ficaram embaraçadas com o facto de Robert Mugabe ter estado ausente da cerimónia de tomada de posse do seu sucessor, tendo sido apresentada uma “explicação” que a poucos convenceu e que serviu para alimentar as dúvidas sobre se a transição foi tão consensual como se quer fazer crer.

“Robert Mugabe não veio porque está a descansar”, disse um proeminente membro da ZANU-PF quando interrogado por um jornalista da cadeia de televisão CNN da razão pela qual o antigo presidente não esteve no Estádio Nacional de Harare. Ainda ontem corriam também rumores em Harare de que antigos ministros de Robert Mugabe, como Savious Kasekwere e Ignatitus Chombo, estariam a usar as redes sociais para manifestar a sua solidariedade para com Grace Mugabe, “disponibilizando-se” para aquilo que “for necessário”.

Este clima de suspeição, que deverá demorar algum tempo a desanuviar, será um dos maiores problemas internos com que o novo presidente se irá deparar para arrumar o seu partido e para reposicionar as peças de modo a que sejam apresentadas devidamente ordenadas no próximo congresso extraordinário, marcado para meio de Dezembro. Um outro problema interno que o novo presidente terá que resolver é o de travar algum ímpeto que se apossou de certos membros da ZANU-PF desejosos de condenar, mesmo antes que a justiça o tenho feito, alguns dos que acompanharam mais de perto Robert Mugabe.

Nesta altura, a ZANU-PF e o país precisam de estar unidos para fazer frente ao desafio comum de recuperação económica sem o que o capital de esperança e o crédito político que o novo presidente agora conseguiu se esgote sem qualquer benefício prático para o país.

Essa união poderá já ser testada este fim de semana quando a ZANU-PF se reunir para escolher as pessoas que vão integrar o governo dirigido por Emmerson Mnangagwa, que terá de apresentar em tempo recorde um programa para ser aprovado no Parlamento.
Ao mesmo tempo, o partido do governo terá quer preparar o congresso extraordinário que decorrerá dentro de duas semanas e que alinhará os seus principais responsáveis para participarem nas eleições de 2018.

Oposição do Zimbabwe dá um bom exemplo de cidadania

Um bom exemplo de unidade a favor do interesse nacional foi dado pelo líder do MDC, principal partido da oposição, Morgan Tsvangirai, que regressou ao Zimbabwe proveniente da África do Sul depois que os militares decretaram a prisão domiciliária de Robert Mugabe.

Tsvangirai dirigiu uma forte delegação do seu partido que fez questão de assistir à cerimónia de tomada de posse de Emmerson Mnangagwa, tendo no final desejado felicidades ao novo presidente mas na missão de preparar as próximas eleições. “O senhor Mnangagwa representa aquilo que Mugabe sempre fez. É um homem do regime, mas desejo-lhe sucesso na missão de preparar umas eleições livres e que possam ter um resultado transparente”, disse Tsvangirai à imprensa internacional presente no Estádio Nacional de Harare. Tsvangirai aplaudiu o discurso de Mnangagwa, mas sublinhou que para o pôr em prática o novo presidente terá que fazer aquilo que nunca fez: “trabalhar ao lado do povo”. (Jornal de Angola)

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