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Emmerson Mnangagwa é hoje empossado Presidente

Emmerson Mnangagwa é hoje empossado chefe de Estado do Zimbabué, três dias após a demissão histórica de Robert Mugabe, depois de 37 anos no poder e sob pressão do exército, da rua e do seu partido.

O ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbabué — Frente Patriótica) convocou todos os cidadãos do país para o Estádio Nacional a partir das 08:30 locais (06:30 em Lisboa) para a cerimónia.

“Venham e sejam testemunhas da História em movimento, os nossos primeiros passos numa nova era e num país melhor conduzido pelo nosso adorado camarada ED Mnangagwa”, proclamaram os organizadores num cartaz afixado em Harare.

A principal prioridade de Mnangagwa, 75 anos, é a reconstrução da exangue economia do país. O Zimbabué luta contra o crescimento lento, uma inflação crescente e um desemprego em massa (90%).

“Queremos o crescimento da nossa economia, queremos empregos”, declarou o novo homem forte do Zimbabué no seu primeiro discurso, na quarta-feira, algumas horas depois de ter regressado de um breve exílio na África do Sul.

Durante muito tempo considerado o delfim de Mugabe, Mnangagwa foi demitido a 06 de novembro – por intervenção da então primeira-dama que esperava suceder ao marido – e abandonou o país por razões de segurança.

O seu afastamento provocou na noite de 14 para 15 de novembro um golpe dos militares, que se opunham à chegada ao poder de Grace Mugabe.

Face à profunda crise do país, as expectativas da população são enormes, mas a chegada ao poder de Emmerson Mnangagwa também suscita preocupações, tendo em conta o seu passado de quatro décadas no aparelho de segurança zimbabueano, que executou o “trabalho sujo” do ex-presidente.

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional pediu ao novo líder do Zimbabué que “evite regressar aos abusos do passado”.

“O próximo governo deverá encetar rapidamente as necessárias e urgentes reformas nas Forças Armadas e na Polícia, as principais armas da repressão de Mugabe” bem conhecidas de Mnangagwa, defendeu, por seu turno, a Human Rights Watch.

Quanto ao principal partido da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) disse estar “cautelosamente otimista” em relação ao próximo líder do país.

Embora referindo esperar que Mnangagwa “não vá imitar e replicar o regime mau, corrupto, decadente e incompetente de Mugabe”, o MDC prometeu acompanhar atentamente as próximas decisões do novo presidente “particularmente em relação ao desmantelamento de todos os opressivos pilares da repressão que foram criados pelo regime cessante”. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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