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Governadores do Huambo evitam fixar residência no palácio provincial

Na província angolana, apenas dois dos últimos cinco governadores fixaram residência no palácio. Há quem diga que os políticos temem “forças ocultas”. Outros acusam os dirigentes de “falta de cultura de Estado”.

O Palácio do Governo é um dos mais emblemáticos e glamorosos edifícios da cidade do Huambo e é a residência oficial do governador da província. No entanto, atualmente o prédio serve apenas para a realização de audiências.

Dos últimos cinco governadores nomeados para representar o Governo central no Huambo, entre 2002 e 2017, apenas dois aceitaram viver nas instalações erguidas para acolher quem chega para chefiar a província.

Albino Malungo, que liderou o Governo local entre 2008 e 2009, e Kundi Pahama, atual governador da província do Cunene, que governou o Huambo entre 2014 e 2016, ocuparam a residência oficial. Já Paulo Kassoma, Faustino Muteka e o atual governador, João Baptista Kussumua, recusaram morar no Palácio do Governo.

Uma opção que não passa despercebida aos habitantes do Huambo. Nas ruas da capital da província, comenta-se que os responsáveis temem pela sua vida e, por isso, recusam-se a morar no Palácio do Governo. Acreditam que o edifício possui “forças ocultas” e que só quem está preparado tradicionalmente contra forças ocultas é capaz de morar no Palácio.

Para o psicólogo Abraão Messamessa, a atitude dos governadores é incompreensível, uma vez que o palácio é o símbolo do poder político “num Estado civilizado”. Segundo o especialista, “a soberania reside no governo e não se pode confiar em surperstições”.

O psicólogo lembra também a questão financeira, afinal, a manutenção do Palácio implica despesas para o Estado. “É um desperdicío, porque é uma casa orçamentada e o Estado paga serviços e, neste momento, estão a duplicar-se as despesas, porque estas casas anexas têm de ser pagas pelo Estado”, diz Messamessa.

“Medo das forças ocultas”

Para o docente universitário na área de linguística africana Américo Bilami, o “medo das forças ocultas” não é razão suficiente para explicar o facto de os governadores se recusarem a ocupar a moradia oficial.

“Não é de facto a melhor via que os governantes têm vindo adotar. Se calhar, há um certo receio, porque de facto dos cinco governadores apenas dois, de forma livre, decidiram viver no palácio da província. Há também superstição, mas isso não é convincente”, afirma Bilami.

De acordo com o académico, por detrás desta “superstição” dos governadores, estão questões “meramente pessoais ou económicas”. “Há muitos governantes que preferem arrendar uma casa, e desta se calhar têm um valor ínfimo e, há uma subfaturação”.

Para Bento Gungui, residente no Huambo, é normal o governador da província residir fora do palácio. Ele defende que os dirigentes políticos têm o direito de escolher onde moram.

“A lei não veta o direito de o governador exercer o direito de perferência. Penso que pode, porque no palácio já passaram muitos governadores. Assim, os governadores pensam que vão encontrar aí uma situação que o outro deixou, associando já a questão da superstição. Nós estamos em África”, opina o cidadão, também fazendo referência à superstição. (DW)

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