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Celebração ao Dia da Consciência Negra começa no Centro do Rio

Os sentimentos são de pertencimento, orgulho e também de resistência. Essas são algumas das sensações narradas pelo grupo, que desdo o início da manhã desta segunda-feira, está em frente ao monumento em homenagem a Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio. Mesmo embaixo de chuva, o tom das celebrações do Dia da Consciência Negra já era sentido logo cedo: ao som de instrumentos de percussão e de berimbaus, um grupo animado jogava capoeira em frente à estátua que retrata a figura histórica conhecida como rei do Quilombo, símbolo da luta contra a escravidão.

— Não não estamos comemorando nada, estamos celebrando a resistência, nossos ancenstrais, nossa força, garra e fibra. Num momento em que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, celebrar a resistência e manter sua cultura e dignidade é muito importante — disse Luiz Eduardo Oliveira Negrogun, Presidente do Conselho estadual dos Direitos do Negro. — A questão básica é passarmos para essa juventude que ainda existe uma esperança e um caminho. Se nós estivermos unidos e conscientes, vamos avançar e ser vitoriosos. Temos que combater o racismo. Porque ele está entranhado de tal forma na sociedade que, somente com a união, nós vamos conseguir exterminá-lo. Sempre com muito orgulho com nossas raízes.

Em celebração ao feriado, está programado para acontecer no local a lavagem do monumento em homenagem a Zumbi. Além disso, está agendada para as 9h, uma cerimônia com representantes da sociedade civil e autoridades, para uma reflexão sobre a questão racial e a importância do tema.

Por volta das 6h3m, porém, antes de a solenidade começar, participantes com indumentárias como dos filhos de Gandhi e Baianas bailavam ao som da percussão e dos berimbaus.

O dia de hoje é sagradíssimo não apenas para os negros, mas para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Minha indumentária representa o nosso grande mestre Zumbi dos Palmares —Toja dos Reis, de 65 anos, que já chamava a atenção de quem passava pelo local e parava para acompanhar a celebração.

Próximo a Toja e dançando com a graça de uma realeza estava Iza, rainha do Afoxé Filhos de Gandhi do Rio de Janeiro:

— As cores do afroXé Filhos de Ganhi são azul e branco. Mas hoje, em especial, trouxe o dourado, porque o nosso ouro maior é a liberdade. E Zumbi muito contribuiu para a nossa liberdade de expressão, cultural e religiosa. Coisas que, ultimamente, temos tido dificuldade de nos expressar, já que algumas repressões tentam nos tolir novamente. Mas estamos aqui, mesmo sob chuva, comemorando e trazendo à tona toda essa luta que Zumbi teve para nos libertar. E celebrar a alegria que o povo negro traz, mesmo com todas as dificuldades. Tudo com muito orgulho. — disse ela, que complementou: — A ideia é perpetuar essa cultura. Importante ressaltar que é preciso levar essa história para as escolas, passar isso para as gerações que estão chegando.

De acordo com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, além da solenidade no Centro, haverá atividades ao longo desta segunda-feira no Parque de Madureira, com Maculelê, capoeira, roda de samba, oficina de turbante e baile charme. (Jornal Extra)

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