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A purga em Angola

O afastamento de Isabel dos Santos é mais importante por aquilo que representa, em termos simbólicos, do que pela Sonangol propriamente dita.

O novo presidente angolano decidiu afastar os filhos do seu antecessor das lideranças de várias empresas estatais. A medida foi interpretada como uma purga da extensa prole de José Eduardo dos Santos, com vista à moralização da vida pública e ao reforço do poder pessoal de João Lourenço.

Para Isabel dos Santos, que durante a última década tem procurado afirmar-se como empresária em Angola e no estrangeiro, a decisão do novo presidente de a afastar da presidência da Sonangol é um verdadeiro balde de água fria.

Mas o afastamento de Isabel dos Santos da petrolífera angolana é mais importante por aquilo que representa, em termos simbólicos, do que pela Sonangol propriamente dita.

Ao afastar Isabel dos Santos sem apelo nem agravo, João Lourenço sinaliza ao mundo que a filha mais velha de José Eduardo dos Santos já não goza da aparente proteção política que, há alguns anos, fazia com que os investidores estrangeiros fizessem fila à sua porta para tê-la como parceira nos seus negócios em Angola. Várias empresas portuguesas seguiram essa estratégia em Angola. E algumas arrependeram-se mais tarde, porque Isabel dos Santos é particularmente dura a negociar e a defender o que considera serem os seus direitos. A antiga PT, o Caixabank/BPI e a Sonae que o digam.

E essa caraterística de Isabel dos Santos como empresária “dura de roer” terá sido, de resto, uma das razões que terão ditado o seu afastamento da Sonangol, para além das questões de cariz político.

Segundo foi noticiado, no passado dia 6 de outubro, o novo presidente angolano recebeu no Palácio da Cidade Alta uma delegação composta pelos administradores da BP Angola, Cabinda Gulf Oil Company (Chevron) Eni Angola, Esso Angola, Statoil Angola e Total E&P. Essa delegação pediu a João Lourenço a implementação de medidas para “melhorar a competitividade do setor”. Na sequência da reunião, foi criado um grupo de trabalho que terá concluído que estava em causa o investimento destas empresas em Angola, devido à forma como eram tratadas pela concessionária Sonangol. Entretanto, Isabel dos Santos desmentiu, em comunicado, a existência de quaisquer problemas com as petrolíferas estrangeiras ou que esse grupo de trabalho se tenha pronunciado especificamente sobre a Sonangol.

O lado positivo desta história, para Isabel dos Santos, é que finalmente vai ter oportunidade de demonstrar o seu valor como gestora e empresária sem que lhe apontem o facto de ser filha do presidente de Angola. (Jornal Económico)

por Filipe Alves

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