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Elevação de Cuito Cuanavale a Património da Humanidade abordada na Itália

O embaixador de Angola na Itália, Florêncio de Almeida, disse hoje, em Roma, que o Governo angolano está a aprofundar estudos para a elevação da cidade do Cuito Cuanavale a Património da Humanidade pelo seu carácter histórico e simbolismo.

O Governo angolano considera que o município do Cuito Cuanavale tem condições materiais e históricas apropriadas para transformar-se em Património da Humanidade e a sua candidatura já foi apresentada e aceite pela UNESCO, que encorajou as autoridades angolanas a prosseguirem com os estudos sobre a proposta.

Segundo o embaixador, a importância do Cuíto Cuanavale para Angola, África e o Mundo deve-se ao facto ter sido palco de uma das maiores batalhas da história contemporânea, que culminou com o derrube do regime racista na África do Sul e trouxe uma nova geopolítica na perspectiva de uma paz efectiva e a libertação do continente africano.

A Batalha de Cuito Cuanavale foi o maior confronto militar em África depois da Segunda Guerra Mundial. Teve lugar entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, na localidade do mesmo nome na província de Cuando-Cubango, fronteira com a República da Namíbia, onde confrontaram-se o exército regular angolano com o apoio das forças cubanas e as forças da UNITA, na altura movimento de guerrilha apoiada pelo exército do regime racista da África do Sul.

Florêncio de Almeida informou ainda, que para além de Cuito Cuanavale, Angola inscreveu também, na UNESCO, mais dois sítios, nomeadamente as pinturas rupestres do Namibe, de Tchitundu-Hulu, e o corredor do Kwanza, que está ligado ao roteiro da escravatura.

Tchitundo-Hulu é um morro granítico situado no município de Virei, na província do Namibe, conhecido pelas pinturas rupestres da Pré-História existentes em Angola, enquanto o Corredor do Kwanza tem um grande simbolismo na dinâmica histórico, cultural e comercial, que os povos que habitam as margens do rio Kwanza e seus afluentes desenvolveram ao longo dos tempos, até a chegada dos portugueses, que usaram esta rota para a introdução do cristianismo e a construção de instituições político-militares do sistema colonial.

O diplomata enalteceu, por outro lado, o apoio de técnicos italianos ao centro histórico da cidade angolana de Mbanza Congo, declarada, em Julho último, pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade, durante a sua 41ª sessão em Cracóvia, na Polónia.

No fórum o diplomata angolano partilhou com os participantes algumas reflexões sobre a importância da Diplomacia Cultural como contribuição nas Relações Comerciais, afirmando que a diversidade cultural é um ponto de força para promover o respeito e a compreensão entre culturas diferentes.

“A cultura é uma ferramenta poderosa para construir pontes entre as pessoas, especialmente entre os jovens, e melhorar a compreensão mútua. A cultura também pode ser um motor de desenvolvimento económico e social”, acrescentou o embaixador para quem a diplomacia cultural desempenha um papel significativo não apenas nas relações entre os Estados, mas também no sector privado.

O diplomata defendeu o reforço da cooperação no domínio do património cultural, incentivando também a investigação e a inovação, sublinhando que nesse contexto a Itália pode oferecer aos nossos países o seu conhecimento e experiência no domínio da restauração dos monumentos, formação e no combate ao tráfico ilícito de obras de arte.

Na sua opinião, o trabalho de conservação do património pode ser a ocasião de uma estreita colaboração que pode traduzir-se num maior envolvimento dos arqueólogos italianos nos sítios e monumentos culturais africanos.

Dois ex-embaixadores da Itália em Angola, nomeadamente Giuseppe Mistretta,actual director para África subsaariana do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália, e Paolo Sannella, presidente da Sociedade Geográfica Italiana, intervieram igualmente a conferência.

Fundada a 12 de Maio de 1867 em Florença, a Sociedade Geográfica Italiana é uma entidade com objectivo de promover o avanço do conhecimento geográfico, a pesquisa científica e desenvolver a sua disseminação através da organização de conferências e viagens de estudo.

A informação foi avançada pelo diplomata quando dissertava sobre o tema “Diplomacia Cultural como contribuição nas Relações Comerciais”, no âmbito da conferência sobre “O Património histórico-arquitectónico de África e a contribuição da Itália” organizada pela Sociedade Geográfica Italiana, em colaboração com a revista “Africa e Affari” (África e Negócios) e a agência “Info-Africa”. (Angop)

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