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Semana decisiva na Catalunha com a tensão a subir antes do referendo

A Catalunha está na recta final antes do referendo de 01 de outubro considerado ilegal pelo Estado espanhol que reforçou a sua presença policial na região para conter o cada vez maior nervosismo dos separatistas.

O Governo catalão e os movimentos independentistas realizaram durante todo o fim de semana inúmeras ações para reafirmar a sua firma intenção de ir para frente com a consulta popular no próximo domingo.

Os separatistas estão convencidos de que apesar da ação dos últimos dias das forças policiais comandadas pelo poder judicial ainda é possível organizar um referendo minimamente credível.

O músculo do Estado espanhol foi visível nos últimos dias com uma série de operações tendentes a desmantelar a máquina posta em funcionamento pelos separatistas para a realização da consulta popular.

A polícia regional já recebeu ordens para selar os locais de voto e todos têm receio que a situação saia fora do controlo das duas partes no caso de começarem a haver ações mais violentas, apesar de todos repudiarem essa via.

A grande interrogação está no que acontecerá no dia a seguir ao referendo, com o presidente do Governo Catalão (Generalitat), Carles Puigdemont, a assegurar que, seja qual for a taxa de participação, se o “sim” ganhar, irá unilateralmente declarar a independência da região.

Parece evidente que o “sim” irá sempre ganhar a consulta convocada pelos partidários da independência, que também são os únicos a fazer campanha eleitoral, com o outro campo a ficar em casa para não credibilizar a votação.

O Governo espanhol de Mariano Rajoy sustenta que a consulta é ilegal, não pode ser considerada vinculativa, nem os resultados de uma ou outra assembleia onde o voto tenha sido depositado em urnas podem ser validados.

O Tribunal Constitucional espanhol suspendeu no início do corrente mês, como medida cautelar, todas as leis regionais aprovadas pelo Parlamento e pelo Governo da Catalunha que davam cobertura legal ao referendo de autodeterminação convocado para 01 de outubro.

Na semana passada, o Governo Espanhol tomou medidas para passar a controlar o orçamento catalão e as forças policiais da comunidade autónoma, numa série de decisões que enfureceram os separatistas e fizeram aumentar a tensão para níveis nunca vistos.

A Guardia Civil, uma força policial de características militares dependente do Governo central, revistou há uma semana uma série de edifícios do Governo regional e deteve 14 pessoas alegadamente envolvidas na preparação do referendo marcado contra a vontade de Madrid.

No mesmo dia foram confiscados nos arredores de Barcelona cerca de 10 milhões de boletins de voto que o Governo regional da Catalunha pretendia utilizar no referendo.

Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional da Catalunha desde setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declararem que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência, mesmo sem o acordo de Madrid.

Os independentistas defendem que cabe apenas aos catalães a decisão sobre a permanência da região em Espanha, enquanto Madrid se apoia na Constituição do país para insistir que a decisão sobre uma eventual divisão do país tem de ser tomada pela totalidade dos espanhóis.

A Comunidade Autónoma da Catalunha tem um nível de vida superior à média do resto de Espanha e dos países da União Europeia, um nível elevado de autonomia e poderes alargados nas áreas da educação — que utiliza para proteger a sua língua – e saúde.

Apesar desta posição privilegiada, uma maioria de catalães não escondem o seu descontentamento e sentem que a Espanha se aproveita da riqueza da região e não respeita suficientemente a sua cultura e língua própria.

Apesar dos esforços feitos há vários anos pelo Governo catalão, nenhum Estado-membros da União Europeia deu até agora apoio à sua causa, insistindo que a Constituição espanhola tem sempre de ser respeitada.

Barcelona sustente que o seu caso se insere no direito à autodeterminação dos povos, mas a comunidade internacional apenas reconhece este tipo de matérias em casos de colonialismo, invasão estrangeira ou forte discriminação e abuso dos direitos humanos.

O sentimento contra a Espanha na Catalunha também se mistura com um forte sentimento anti Partido Popular (PP), de direita, que governa a Espanha desde 2011 e se opõe a qualquer alteração da Constituição de 1987 que ponha em causa a unidade do país.

Muitos espanhóis receiam que este movimento na Catalunha possa vir a ser repetido no País Basco, uma outra região espanhola que, depois de anos de violência, parece viver em relativa harmonia com o resto de Espanha.

Uma maioria de catalães apoia a realização de um referendo, mas uma sondagem indica que mais de metade da população da comunidade autónoma também apoia que a consulta deve ser organizada dentro do quadro legal e não apenas por uma das partes, separatista, e com a oposição do Governo central, como é o caso atual.

Um inquérito publicado em julho último pelo Centro de Estudos de Opinião do governo catalão revelava que, na altura, os partidários da independência desta região espanhola eram 41,1% e os contrários à autonomia 49,4%.(Notícias ao Minuto)

por Lusa

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