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Investidura2017: Olhar sonhador de José Eduardo dos Santos

Da infância do Sambizanga, José Eduardo dos Santos, nascido de família modesta, em 1942, ao homem que chegou a Presidente, quase nada resta, senão aquele mesmo olhar sonhador de quem sempre se ligou à política e às causas nacionalistas.

Como a maioria dos jovens, da altura, cedo se apercebe da luta travada contra o colonialismo português, para pôr fim aos 500 anos de colonização e, com a fundação do MPLA, em 1956, junta-se à actividade política, inserindo-se nos grupos clandestinos criados na periferia de Luanda.

Em Novembro de 1961, segue para o Congo-Leopoldville (actual RDCongo), na companhia de “camaradas” de luta; aos 20 anos recebe o primeiro cargo dentro do partido, vice-presidente da JMPLA e primeiro representante do MPLA na República do Congo-Brazzaville; posteriormente, no Moxico, é eleito para o Comité Central e Bureau Político, assumindo, concomitantemente, a coordenação da actividade política e diplomática, a nível da Segunda Região.

Assim se “temperou” o líder

Com a independência de Angola, em 1975, o jovem Eduardo dos Santos não imaginava que outros cargos se somariam, como o de ministro das Relações Exteriores, chefe da campanha diplomática que levou ao reconhecimento e admissão de Angola a membro da ONU, em Dezembro de 1976, vice-primeiro-ministro, ministro do Plano e, a 21 de Setembro de 1979, na sequência da morte de António Agostinho Neto, fundador da Nação angolana e Presidente do MPLA, assume a árdua missão de presidir Angola e ao partido.

Como ele próprio viria a dizer no seu primeiro discurso de investidura, a substituição de Neto não seria uma missão “fácil, nem possível (…) apenas uma substituição necessária”.

E, realmente, não foi nada fácil. Mal chega ao poder, tem que enfrentar uma guerra imposta por uma guerrilha interna e alimentada pelas potências ocidentais, que semeia pelo país miséria, fome, deslocados e refugiados fugidos das bombas que provocaram a destruição de infra-estruturas por toda Angola.

Em Novembro de 1980, é reconduzido a todos os cargos pelo 1.º Congresso Extraordinário do MPLA, assume a presidência da Assembleia do Povo (Parlamento) e, igualmente, as responsabilidades do fundador da Nação, quando afirmou: “Na Namíbia, no Zimbabwe e na África do Sul está a continuação da nossa luta”.

Batalha de Cuito Cuanavale

A África do Sul, no desespero de ver o regime racista do apartheid perpetuado, alia-se à Unita, de Jonas Savimbi, e, em incursões sucessivas no território angolano, espalhando a morte por todos os lares, força o Presidente José Eduardo dos Santos a solicitar o apoio aliado e inestimável de Cuba e da União Soviética.

Este apoio e todo o potencial das “gloriosas FAPLA” deixaram marcas na vitória lendária de Cuito Cuanavale, conhecida como a batalha mais prolongada do continente. As derrotas infligidas ao exército de Peter Botha, que deram origem à resolução 435/78 do Conselho de Segurança da ONU, serviram de alicerce para a libertação de Nelson Mandela, para o fim do apartheid e para as independências das repúblicas da Namíbia e da África do Sul.

Pode-se, então, dizer, sem medo de errar, que, tal como Mandela, José Eduardo dos Santos é, por todas estas missões cumpridas, merecedor do “Prémio Nobel da Paz de 1993”, e, apesar de a história não se repetir, os registos ficam, pelo menos, para Angola.

Ainda como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), José Eduardo dos Santos conduziu o exército numa cruzada vitoriosa contra a Unita, mas que levou a várias tréguas que começaram em 1989, em Gbadolite, então Zaire (RDC).

Fim do monopartidarismo

Dá-se, então, início ao processo democrático, em 1990, e ao fim do monopartidarismo que permitiu a assinatura, a 31 de Maio de 1991, dos Acordos de Bicesse, bem como a realização das primeiras eleições multipartidárias, em Setembro de 1992.

A este primeiro pleito, concorreram 18 formações políticas, tendo as legislativas sido ganhas pelo MPLA, enquanto, para as presidenciais, pelo facto de o candidato mais votado, José Eduardo dos Santos (MPLA), não ter atingido os mínimos exigidos para ser declarado vencedor, a CNE anunciou uma segunda volta. A Unita recusou os resultados, alegando fraude, e, em consequência, recomeçou a guerra.

Conquista da paz

Por imposição do Presidente, recomeçam as negociações entre o Governo e a Unita, que partem de Lusaka e trazem para Angola mediadores emblemáticos como a inglesa Margareth Anstee, o maliano Maitre Alioune Blondin Beye e os observadores da troika (Portugal, Estados Unidos e Rússia), entre os quais se destaca o português Durão Barroso, e chegam aos acordos do Namibe. Neste processo de pacificação, José Eduardo dos Santos ganha o título de artífice da paz.

As inúmeras tentativas de pacificação culminaram com a assinatura, no Luena, capital do Moxico, do memorando complementar para a cessação das hostilidades e resolução das questões pendentes ao Protocolo de Lusaka.

Finalmente, a paz definitiva é rubricada a 4 de Abril de 2002, em Luanda. Os angolanos, longe de qualquer mediação, entre si, como irmãos, simplesmente se entenderam e concluíram os Acordos de Paz e Reconciliação Nacional.

Eleições de 2008 dão maioria absoluta ao MPLA

José Eduardo dos Santos estende a sua mão pacificadora que norteia a elaboração do Programa de Reconstrução Nacional, dá vazão à livre circulação de pessoas e bens por todo o país e inicia o processo de construção e reconstrução que vem revitalizar a actividade económica e social do país.

E assim acontecem, em 2008, as segundas eleições, em que o Presidente do MPLA e o seu partido saem vitoriosos com maioria absoluta.

Esta foi a resposta dos eleitores aos esforços do homem intransigente nos seus intentos, em reconhecimento pelos feitos do estadista, o líder verdadeiramente humano, que, na hora do perdão, soube unificar a grande família angolana, fazendo jus às palavras de ordem do MPLA: “De Cabinda ao Cunene um só Povo, uma só Nação”.

Angola transformada em canteiro de obras

Angola já floria como um verdadeiro “canteiro de obras” e dava mostras de não querer parar. Assim, José Eduardo dos Santos conduz, uma vez mais, o país para as terceiras eleições de 2012, numa altura em que parte do seu sonho se concretiza com uma economia que apresentava taxas de crescimento que estavam entre as maiores da África Subsahariana, em particular, e do mundo, em geral, onde os índices de pobreza e de inflação caem, e os de desenvolvimento humano e de crescimento económico sobem, permitindo vislumbrar um futuro melhor.

Lamentavelmente, nem tudo está a preceito, desta vez traídos pela crise do petróleo.

Hora da mudança

Às portas das quartas eleições gerais angolanas, José Eduardo tomou a soberana decisão de deixar o comando da Nação.

E como o seu sonho continua, depois de lançadas todas as premissas para a sua concretização (pode depositá-lo em sábias mãos), após tantas obras feitas, com o mesmo olhar sonhador, Dos Santos vai acompanhar, como timoneiro da paz e do progresso social, o Presidente eleito, João Lourenço, “a melhorar o que está bem e a corrigir o que está mal”. (Angop)

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