Cólera alastra na RDC e coloca países vizinhos na linha da frente da epidemia

A cólera é um problema de saúde pública na República Democrática do Congo (RDC) há pelo menos quatro anos, mas desde Junho, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), já morreram 500 pessoas e 24 mil foram infectadas em 20 das 26 províncias do país.

O alastramento da cólera na RDC teve, até Junho, como principal foco de preocupação as províncias dos Kivu Norte e Sul, constituindo uma ameaça para os vizinhos Ruanda, Burundi e Uganda.

Entretanto, nos últimos meses, muito por causa da violência descontrolada das milícias Kamwina Nsapu, que varreu os Kasai Central e Oriental, levando à deslocação de mais de 1,5 milhões de pessoas das suas casas, destruiu a rede de cuidados de saúde e criou problemas no abastecimento de água potável, Angola, que faz fronteira com estas zonas congolesas, passou também a estar na linha da frente da ameaça da epidemia.

Face a este problema, que, nos últimos meses, também afectou algumas áreas de Angola, com destaque para a província do Zaire, cujo foco do Soyo gerou fortes preocupações no Ministério da Saúde angolano, as autoridades angolanas colocaram no terreno um sistema de vigilância que abrange igualmente as possibilidades de alastramento dos países vizinhos.

Este sistema é ainda mais necessário agora que se sabe que, como referia a OMS há menos de um mês e foi hoje reafirmado pelos MSF, a RD Congo está a registar mais de 1500 novas infecções por semana e o número de doentes confirmados já ultrapassa os 24 mil, sendo que existem ainda milhares de suspeitas de infecção por confirmar laboratorialmente.

Os MSF, em comunicado, espelham a preocupação global com esta epidemia, apelando à urgente mobilização das autoridades sanitárias congolesas para levar os cuidados de saúde mínimos às populações, colocar no terreno um programa alargado de vacinação e garantir um efectivo acesso a água potável, com apoio da comunidade internacional.

O coordenador dos Médicos sem Fronteiras na RDC, Cisco Otero, já tornou público o apelo “urgente” de ataque à doença nas províncias onde esta é endémica, pelo menos em seis, como forma de criar condições para a definição de uma estratégia abrangente de controlo e combate à cólera na RDC.

Tanto a OMS como os MSF, para além das autoridades nacionais e organizações não-governamentais estão a criar centenas de unidades sanitárias no país para que seja possível ter uma ideia clara da dimensão do problema e desenhar um esquema de actuação rápida, até porque a época das chuvas está a chegar e aquilo que é hoje um problema grave “pode evoluir em dias para uma situação crítica”. (Novo Jornal Online)

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