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Guiné-Bissau: V Congresso do PRS marcado por disputas internas

Partido de Renovação Social está reunido nos arredores de Bissau para eleger nova direcção entre divergências e em plena crise política no país. Nove membros candidatam-se à liderança do partido.

O V Congresso do Partido de Renovação Social (PRS) – o primeiro a realizar-se sem a presença de Kumba Ialá, que co-fundou o partido, em 1992, e morreu em 2014 – está a decorrer na localidade de Gardete, nos arredores de Bissau, numa altura em que reina o impasse político no país.

O Parlamento está encerrado há cerca de dois anos, devido a divergências profundas entre o PAIGC, vencedor das legislativas de 2014, e o Partido de Renovação Social. A comunidade internacional continua a insistir no cumprimento do Acordo de Conacri, que prevê a formação de um Governo integrado por todos os partidos e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso. O atual Governo da Guiné-Bissau, de iniciativa presidencial, não tem o apoio do PAIGC, mas conta com o apoio do PRS.

Ao lado de Alberto Nambeia, o actual presidente, oito candidatos concorrem à liderança da formação política. Há também dois candidatos ao cargo de secretário-geral. E entre eles e os cerca de mil delegados que participam no Congresso, várias vozes acusam a actual direção de alimentar o impasse político que o país atravessa.

Coesão vs. Mudança

Neste contexto complexo, o actual líder do partido e candidato à reeleição, Alberto Nambeia, apelou à união dos congressistas no arranque do V Congresso, na segunda-feira (26.09).

“O V Congresso constitui um marco importante para fortalecer a nossa união e mostrar que este PRS é um partido de grande família. Preparado, sempre, para defender os injustiçados e perseguidos, para ganhar as próximas eleições e para governar a República da Guiné-Bissau”, garantiu. Nambeia pediu coesão e unidade, numa altura em que muitos pedem a mudança na liderança do PRS.

O ex-primeiro-ministro Artur Sanhá, candidato ao cargo de presidente, é um dos membros que querem um novo rumo para o partido. Para Sanhá, “aqueles que protagonizaram a gestão até esta altura devem reconhecer que a sua contribuição já chegou ao fim. Não vão fazer mais nada além do que fizeram nos últimos quatro anos”.

O antigo chefe do Governo afirma-se como “uma alternativa” com uma “mensagem linear”: “Reconciliação, fortificação do partido, nova postura para as figuras políticas e nova consciência sobre a realidade actual”.

Pontos sensíveis

Para Orlando Mendes Viegas, Presidente da Comissão Organizadora do quinto Congresso do PRS, “a expetativa é grande” em relação ao evento. Sublinhando que as disputas internas “são normais”, espera, ainda assim, que a resolução das divergências seja uma prioridade da nova direção que, afirma, “em primeiro lugar, tem de fazer uma inclusão interna”. “No partido, há sempre diferentes sensibilidades. Primeiro, [a nova direção] tem de tentar resolver essa questão”, sublinha.

O acordo de Conacri é um dos pontos sensíveis. Dentro do PRS, há quem defenda que o acordo está e deve estar a ser cumprido, mas há quem se distancie das decisões tomadas em Conacri. Orlando Mendes Viegas fala numa “questão de interpretação” e defende como “fundamental e crucial” a reintegração incondicional dos 15 deputados expulsos do PAIGC, em 2016, que se juntaram ao PRS no Parlamento para chumbar o programa de Governo do então primeiro-ministro, Carlos Correia.

“A partir daí, vamos avançar”, garante, acrescentando que “o acordo está parcialmente a ser cumprido”. “Esperemos que esta questão seja resolvida ao nível do PAIGC”, conclui.

Críticas à direcção de Nambeia

Já Artur Sanhá defende mais esclarecimentos sobre um acordo que vê como “um texto de boas intenções, mas que não teve o alcance na redação, face ao conteúdo”. “Devia haver uma mesa de clarificação de tudo aquilo que o acordo disse. Infelizmente, deram pouco interesse à elaboração da acta de reunião onde [as delegações] elaboraram o acordo”, afirma.

Para evitar polémicas em pleno Congresso, Artur Sanhá prefere não avançar, para já, a posição do PRS face ao acordo de Conacri, caso seja escolhido para liderar o partido. Avança apenas com
uma certeza: é preciso mudar.

O mesmo diz o candidato Sori Djaló, antigo presidente do Parlamento, que classifica a atual liderança do PRS como “um perigo para o futuro”, criticando o apoio do partido ao atual Governo. “É errada a forma como Alberto Nambeia tem estado a conduzir o PRS, porque está a criar um precedente grave em democracia”, considera. “Um partido ganha as eleições, mas aparece outro, neste caso o nosso partido, que não ganhou, a governar. Isso é mau para a democracia.

Imagina que se amanhã o PRS vem a ganhar as eleições e se alguém lhe tirasse o poder e entregasse a quem perdesse as eleições. Eu quero colocar um ponto final nisso. Queremos mudar a direção do partido para estancar esta hemorragia democrática”, disse Sori Djaló.

Na lista de candidatos à liderança do partido estão também o atual ministro da Administração Territorial, Sola N’Quilin, o ex-ministro das Pescas Fernando Correia Landim, Aladje Sonco, um funcionário das Alfandegas de Bissau, o ex-deputado Aladje Nanque, Ribana Bder Na Nkek e Camnate Djata, ambos membros do conselho nacional do partido fundado por Kumba Ialá.

Para o cargo de secretário-geral depositaram dossiês de candidaturas Florentino Mendes Pereira, atual secretário-geral e ministro do Estado e da Energia, bem como Duarte Quadé, professor no centro de formação de docentes “Tchico Té” em Bissau. (DW)

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