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Investidura2017: Transição pacífica

Ao nascer do dia e antes do raiar do sol, já tudo apontava que a cerimónia de investidura do Presidente da República eleito viesse entrar para a história.

(Foto: Pedro Parente)
Pelo seu simbolismo e contexto macroeconómico, o acto de “baptismo” de João Lourenço tinha tudo para ser mais do que um mero “ritual constitucional”.

(Foto: Pedro Parente)
O dia das honras do Presidente da República eleito estava predestinado para ser de festa.

(Foto: Pedro Parente)
Quem esteve na Praça da República, nesta terça-feira (26), queria uma chance de assistir uma passagem histórica de testemunho político, ver de perto o começo de uma nova era de governação e o “emergir” do novo Titular do Poder Executivo.

O país “parou” e seguiu atento, em aproximadamente 02h e 30 minutos, a um acto de transição pacífica e democrática, que marcou, também, o fim dos 38 anos do mandato do Presidente da República cessante, José Eduardo dos Santos.

A cerimónia solene, assistida ao vivo por pelo menos 40 mil pessoas e transmitida para milhões de telespectadores, teve “adrenalina”, suspense e emoção.

Como já se esperava, foi por altura do juramento constitucional do novo Titular do Poder Executivo e da imposição do colar presidencial que o ambiente “esquentou”.

Mas o clima de festa começou bem antes da chegada dos protagonistas principais.

Correria nos bastidores

Nos arredores da Marginal de Luanda, o entra e sai de pessoas e carros era constante.

Desde as 06h da manhã, os caminhos davam à Praça da República, contígua ao Memorial António Agostinho Neto, bairro da Quinanga, distrito urbano da Ingombota.

Em algumas horas, a rotina do dia-a-dia estava quebrada e a praça apinhada de gente.

A segurança era rigorosa, com milhares de polícias e militares em pontos estratégicos.

Na tribuna e no relvado da Praça da República, os convidados de honra e os cidadãos comuns aguardavam ansiosos, apesar do chuvisco que também dava o ar da sua graça.

Ao princípio da tarde, o sol abriu, mas nem isso afugentou o povo, que desceu em massa à Nova Marginal de Luanda, num dia especial de tolerância de ponto.

A curiosidade em ver chegar os protagonistas principais tomava conta de adolescentes, jovens, adultos e idosos. Todos queriam viver a celebração, o acto da transição.

Controlar a euforia não era uma missão espinhosa, mas exigia atenção até para quem, como os agentes da polícia, estão tarimbados para “controlar” multidões.

A intensidade da festa aumentou, quando se aproximou a comitiva presidencial.

Eram 11:45. José Eduardo dos Santos chegou e passou em revista às tropas, em parada.

O Presidente da República cessante não parecia tenso, no último dia do seu mandato.

Antes dele, chegara o Vice-Presidente da República cessante, Manuel Vicente.

Alguns minutos antes, já havia chegado o Vice-Presidente da República eleito, Bornito de Sousa, e cinco minutos depois o Presidente da República eleito, João Lourenço.

Todos foram recebidos pelo juiz conselheiro do Tribunal Constitucional (TC), e pelo director do cerimonial da Presidência da República, antes da acomodação na tribuna.

Momento histórico

A histórica cerimónia de investidura começou com a entoação do hino nacional, executado pela Banda de Música da Guarda de Honra Presidencial.

Seguiu-se um minuto de silêncio, uma breve intervenção do juíz conselheiro presidente do TC, Rui Ferreira, e a apresentação do guião da cerimónia.

Fez-se a seguir a leitura dos dados biográficos de João Lourenço e a transcrição da declaração da Comissão Nacional Eleitoral que o proclamou Presidente da República.

Depois, o presidente do TC convidou o Presidente da República eleito para fazer o juramento constitucional, com a mão direita aposta à Constituição da República.

Estava dado o primeiro passo da transição. Mas a cerimónia estava longe do fim.

Após a leitura do termo de posse, pelo presidente do TC, o Presidente da República eleito assinou o termo de posse e os respectivos termos individuais.

O juiz conselheiro ractificou os documentos, antes do momento mais alto do acto.

Depois de saudado pelo presidente do TC, o Presidente da República eleito deslocou-se até ao local onde se encontrava o Chefe de Estado cessante.

José Eduardo dos Santos, que chegou ao poder a 21 de Setembro de 1979, após a morte do fundador da Nação, António Agostinho Neto, impós o colar presidencial ao seu sucessor João Lourenço, a quem saudou, antes da esperada troca de lugares.

Estava feita a história e concretizada a transição política, pacífica e democrática.

Na tribuna de honra e em toda Praça da República, uma enorme euforia se registou.

As mais de 40 mil pessoas presentes no acto aclamaram João Lourenço e, com cânticos sonantes, gritaram “Lourenço, amigo, o povo está contigo”.

Como que já sentindo saudades, expressaram também apreço a José Eduardo dos Santos e, de vários cantos da praça, saiu o coro “Zé Du, obrigado, Zé Du, obrigado…”.

A cerimónia seguiu com o mesmo formato, mas agora com outro protagonista.

À semelhança de João Lourenço, o presidente do TC conferiu posse ao Vice-Presidente da República eleito, Bornito de Sousa, antes de proferir o discurso de felicitações.

O segundo discurso já teria um sabor especial. Pela primeira vez, João Lourenço soltou a voz nas vestes de Chefe de Estado e falou à Nação sobre como pensa mudar o país.

Tributo ao comandante-em-chefe

A histórica cerimónia de terça-feira já quase tinha queimado os “últimos cartuchos”.

Mas para saudar o novo Comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolanas, os três ramos das Forças Armadas desfilaram. João Lourenço assistiu em pé.

Se a festa da transição começou em alta, tinha de terminar também em grande estilo.

Ao “cair do pano”, outra vez a entoação do hino nacional, em simultâneo com 21 salvas de canhão.

Estava criado o cenário para a saída apoteótica do novo Presidente da República, Chefe de Estado e Titular do Poder Executivo.

João Lourenço deixou a Praça da República às 14:02, acenando à população e com um tímido sorriso sobre os lábios, em direcção à sua nova moradia, o Palácio Presidencial, onde se fará o encerramento do programa, em apoteose e ambiente de festa. (Angop)

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