Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

Traficante detalha pagamento de propina a policial do Bope: ‘Ordenei ele a dar bom dia e boa noite’

Advogados de um policial do Bope, acusado de receber propina em troca do vazamento de operações para o tráfico, chamaram um traficante como testemunha de defesa de seu cliente. Para os promotores do caso, a estratégia tinha como objetivo que o bandido desmentisse a acusação, dizendo que nunca recebeu dinheiro dos agentes. No entanto, Leonardo Barbosa da Silva, o Léo do Aço, chefe do tráfico das favelas Antares e Rola, na Zona Oeste do Rio, levado do Complexo de Gericinó direto para a sala de audiência da Auditoria Militar, não só admitiu que fazia pagamentos semanais de até R$ 70 mil a um policial do batalhão como também detalhou os bastidores de um esquema de propina no coração da tropa de elite da PM.

O EXTRA teve acesso à gravação do depoimento, que faz parte do processo contra cinco PMs do Bope presos em dezembro de 2015 por corrupção passiva. Durante o relato, o chefe do tráfico — respondendo com tranquilidade às perguntas dos advogados — diz que havia uma relação de “respeito” entre policiais e traficantes: ele ordenou que os PMs, ao se dirigirem aos bandidos, deveriam dar sempre “bom dia” ou “boa noite” e determinou que os policiais deveriam pedir desculpa quando não avisassem sobre alguma operação.

— Ele (o PM) falava diariamente comigo. Eu que ordenei ele a dar bom dia e boa noite, pedir desculpa quando o comboio fosse para algum lugar que não fosse aquele local certo. Haveria o respeito de poder pedir desculpa. Tanto da nossa parte quanto da parte dele — disse o bandido. Ao final do relato, Léo apontou o soldado Raphael Canthé dos Santos como o PM para quem ele entregava o dinheiro “na mão”.

‘Ele tinha respeito nas minhas comunidades’

Léo também detalhou como era feita a entrega do dinheiro — de R$ 50 mil a R$ 70 mil arrecadados entre as favelas dominadas pela maior facção do Rio. Os encontros eram marcados por mensagens de celular, interceptadas durante a investigação, e aconteciam na favela de Antares ou em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, “na pista”.

— Nos encontrávamos constantemente devido à relação, ao tempo já junto. Tinha gente que achava que ele até era meu parente, meu irmão. Ele já tinha respeito nas minhas comunidades. Deixava ele chegar, não tinha problema nenhum — contou o traficante.

Ele também relata que o PM dizia falar com ele “a mando do comandante, do coronel” e que não pagava o batalhão da área de Antares, o 27º BPM (Santa Cruz), porque “eles são combinados com a milícia”. Ao final do interrogatório, perguntado por um advogado sobre seu papel na hierarquia da quadrilha, Leonardo responde de pronto:

— A minha função lá continua a mesma. Sou o dono da favela do Rodo e de Antares.

— E agora que o senhor está preso, quem está lá então? — retruca o advogado.

— Continua a mesma coisa.

São réus no processo, além do soldado Raphael Canthé dos Santos, os cabos Silvestre André da Silva Felizardo, Maicon Ricardo Alves da Costa e Rodrigo Meleipe Vermelho Reis e o sargento André Silva de Oliveira. Todos eram lotados no Bope. Léo do Aço segue preso, desde outubro de 2015, no Presídio Gabriel Castilho, Complexo de Gericinó.

Após o depoimento, a defesa do soldado identificado pelo traficante pediu à Justiça uma acareação entre o policial e o bandido “já que surgiram novos fatos em contradição à acusação”. A juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria Militar, indeferiu o pedido: “a prova pretendida pela defesa é inócua e sem utilidade”.

A investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com a colaboração da Coordenadoria de Inteligência da PM, da Corregedoria da corporação e do próprio Bope, interceptou mensagens trocadas entre policiais e os traficantes. Numa delas, o cabo Felizardo avisa para seus colegas sobre a ordem de dar bom dia e boa noite aos bandidos: “Mn vc ten q dar o bom dia e boa noite pós amig para tranq uilisa os mn Vlw (sic)”. (Jornal Extra)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »