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Embaixador da Guiné-Bissau acusa Portugal de “desprezo quase canino” sobre situação da RTP

O embaixador da Guiné-Bissau em Lisboa acusou as autoridades de Portugal de “um desprezo quase canino” face à ausência de respostas a propostas para negociar o protocolo de transmissão da RTP e RDP naquele país.

“O que há é apenas a suspensão das emissões no quadro da ausência de resposta a várias e várias iniciativas para o diálogo e para a revisão do acordo” que regula a transmissão da RTP e RDP usando os meios das estações públicas da Guiné-Bissau, disse o embaixador Hélder Vaz, à margem de uma cerimónia, em Lisboa, para assinalar os 44 anos da independência.

“Houve um desprezo quase canino, permitam-me a expressão. Nós somos um Estado, não somos outra coisa qualquer”, acrescentou, dizendo também que “quando se pretende espezinhar o Estado da Guiné-Bissau e colocar o país na situação de ter de ceder por ser país mais pobre, estamos a afrontar o povo da Guiné-Bissau”.

Em causa está a suspensão das emissões da rádio e televisão públicas portuguesas usando as antenas da rádio e televisão públicas da Guiné-Bissau, uma situação regulamentada por um protocolo entre os dois governos, que a Guiné-Bissau quer rever.

“As emissões [da RTP e RDP] não estão cortadas, estão acessíveis às pessoas, como outros canais, estamos a falar das emissões emitidas pelas antenas nacionais”, disse o embaixador guineense, salientando que em Portugal a estação pública de rádio e televisão também não passa as emissões das suas congéneres guineenses e que “as emissões em território nacional são uma questão de soberania”.

Questionado sobre onde está o impasse que tem arrastado esta situação, Hélder Vaz resumiu: “nós enviámos cartas, estamos a aguardar resposta, não sabemos onde está o impasse, terão de ser os senhores [jornalistas] a avaliar. Na primeira carta propusemos uma data e um local, na segunda disponibilizámo-nos para ser em qualquer lado, portanto digam-me os senhores onde está o impasse”.

Sobre os profissionais da RTP e RDP no país, o embaixador garantiu que “não estão impedidos de trabalhar”, uma vez que isso teria de ser feito através de um ato legal do qual não tem conhecimento.

Para Hélder Vaz, a questão resume-se à vontade do país progredir.

“Desejamos migrar para Televisão Digital Terrestre, temos uma estratégia, queremos dar passos em frente, queremos implementar uma estratégia sem sermos cerceados em nome da liberdade de imprensa, de maldades… não há maldades nenhumas, queremos é progredir enquanto país, como todos os outros”, concluiu o diplomata.

A 30 de junho, o ministro da Comunicação Social guineense anunciou a suspensão das atividades da RTP na Guiné-Bissau, alegando a caducidade do acordo de cooperação no setor da comunicação social assinado entre Lisboa e Bissau.

O ministro justificou a decisão da suspensão das atividades da rádio e televisão portuguesas no país com questões técnicas.

Na semana passada, o primeiro-ministro guineense mostrou-se convicto de que a situação estaria ultrapassada até ao fim do ano. (RTP)

por Lusa

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