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Adama Barrow apela ao regresso dos gambianos

“A diáspora faz parte do processo de reconstrução”, sublinha Adama Barrow, eleito Presidente da Gâmbia há meio ano. Em entrevista exclusiva à DW África, o chefe de Estado confessa que a jornada não tem sido fácil.

Adama Barrow, de 52 anos, venceu as eleições presidenciais de dezembro de 2016, numa disputa com Yahya Jammeh, que liderou o país com mão de ferro durante 22 anos.
Quando chegou à Presidência, há seis meses, deparou-se com a primeira dificuldade do seu mandato: o seu antecessor tinha esvaziado os cofres de Estado, pouco antes de partir para a Guiné-Equatorial, deixando o país com a maior dívida externa de sempre.

Com a ajuda da União Europeia (UE) e do Banco Mundial, Barrow tem tentado, a todo o custo, recuperar a economia do país, apesar de alguns cidadãos o acusarem de não ter definida uma estratégia para o país.
Em entrevista exclusiva à DW África, Adama Barrow admite que esta não tem sido “uma jornada nada fácil”, mas salienta que já foram feitos alguns progressos. “Como herdamos um Governo com uma economia muito fragilizada, vinda de um regime ditatorial que durou 22 anos, vai demorar ainda algum tempo”, reconhece.

Melhorias económicas

O Presidente gambiano lembra que há muitos problemas com os quais ainda é preciso lidar, devido àinfluência de Yahya Jammeh. “Mesmo com esta democracia recém-criada, as pessoas continuam a abusar. A forma como se lidava com as finanças era tão má que ainda temos de reduzir bastante a despesa do Governo”, explica.

Em seis meses, a economia na Gâmbia registou algumas melhorias. Segundo Adama Barrow, já é possível assegurar os custos das importações e os investidores mostram mais interesse no país.
“Os preços dos bens alimentares desceram e os preços dos combustíveis estão ao mesmo nível de 2011, o que nos permitiu descer os preços de bens de primeira necessidade”, exemplifica.
“Também conseguimos ter o apoio financeiro de vários investidores e o armazenamento de bens também aumentou”,
acrescenta Adama Barrow.

Regresso a casa

Durante os 22 anos que antecederam a eleição de Barrow, muitos gambianos optaram por sair do país – fosse por medo do regime ou pelas dificuldades que enfrentavam devido à grande crise económica pela qual o país passava. Muitos dos refugiados que tentam chegar à Europa através do Mediterrâneo vêm da Gâmbia e o atual Presidente reconhece a importância de todos eles: os que ficaram fora do país e os que regressaram depois da sua eleição.

“A migração de gambianos tornou-se um grande problema, porque estavam frustrados e não tinham qualquer esperança. Nos últimos tempos, muitos deles têm voltado de livre vontade, porque veem uma nova esperança para o país”, afirma o Presidente, que apela a todos os gambianos que “voltem para casa e contribuam para a reconstrução do país”.

Alguns dos que regressaram trabalham em estruturas governamentais. “Muitos deles têm tido um papel fundamental na elaboração de novas ideias e estão a contribuir [para o desenvolvimento] a partir do exterior”, sublinha Barrow.
Mas não é apenas na economia que se refletem os primeiros seis meses de mandato de Adama Barrow. Também na liberdade de imprensa e de expressão a mudança do regime se faz sentir. “A imprensa já é livre. Neste momento, todas as rádios e jornais são livres. É uma das nossas principais prioridades”, destaca o Presidente. (DW)

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