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Luanda e Kinshasa de costas viradas

Segundo o Novo Jornal, o Ministro da Economia da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kapika, anunciou, na passada sexta-feira, 21, que pretende proibir a importação de produtos que “matam a economia” congolesa, dando como exemplos a cerveja e os ovos oriundos de Angola. A decisão parece demarcar ainda mais a fronteira entre Luanda e Kinshasa, acentuada com as críticas a Joseph Kabila.

Depois das notícias sobre a retirada de instrutores militares angolanos da RDC, alegadamente em desacordo com o Presidente Joseph Kabila, e já após as críticas do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti à situação política na RDC – mais tarde adensadas pela oposição do genro do Presidente José Eduardo dos Santos, Sindika Dokolo, ao líder congolês -, chega agora um novo sinal de que as relações bilaterais já conheceram melhores dias.

Segundo o ministro da Economia da RDC, Joseph Kapika, citado pela edição africana do jornal belga La Libre Belgique, a RDC vai banir a entrada no país de produtos que fragilizem a economia nacional.

A lista de proibições, avança Kapika, inclui, para além de bens de primeira necessidade da Zâmbia, cerveja e ovos provenientes de Angola, alegadamente vendidos na RDC a preços mais baixos do que a produção local.

“Vamos interditar a entrada no nosso país de tudo o que mata a nossa economia”, anunciou o ministro da Economia da RDC, lamentando o facto de a cerveja congolesa Bralima, “enfrentar a concorrência da cerveja oriunda de Angola, comercializada a um preço mais barato”.

O responsável alertou para o impacto destas interferências no mercado congolês, adiantando que algumas quintas e fábricas da cidade de Lubumbashi se viram forçadas a encerrar a produção.

“Quando um ovo é vendido a um preço que supera toda a concorrência, o que querem que o consumidor faça?”, questiona o ministro, reiterando que a produção congolesa deve ser salvaguardada.

A posição do governante parece cimentar o afastamento entre Luanda e Kinshasa, evidenciado, no passado mês de Maio, por declarações do ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti.

“Creio que é necessário que o Governo [da RDC] diga exactamente o que se passa. Se o Governo não o diz, creio que é importante que o saibamos, porque os refugiados relatam coisas que devem ser verificadas no interior da RDC”, disse o chefe da Diplomacia, defendendo uma investigação internacional aos acontecimentos na vizinha Kinshasa.

A proposta de Chikoti, condenando a “violência recorrente na RDC”, foi recebida como uma ingerência pelo conselheiro diplomático do Presidente Kabila.

Mais recentemente, foi igualmente notícia a condenação do marido da empresária Isabel dos Santos a um ano de prisão na RDC por fraude imobiliária.

“Parece que Kabila e a ANR (Serviços de Inteligência da RDC) já nem sequer se preocupam em manter as aparências”, disse Sindika Dokolo na reacção à sentença, que alega ser politicamente motivada.

Recorde-se que, no final de Junho, em declarações à agência de notícias Reuters, Sindika Dokolo adensou os alertas para os perigos da situação na RDC.

“Andamos a subestimar a capacidade do Congo para desestabilizar a região”, advertiu o empresário, acentuando o tom do aviso: “Estamos a brincar com fósforos num barril de explosivos, e isso preocupa-me bastante”.

Dokolo desponta ainda como aliado do principal opositor de Joseph Kabila na disputa pela presidência da República Democrática do Congo (RDC), Moïse Katumbi.

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