Uíge celebra centenário com olhos postos para desenvolvimento

A cidade do Uíge, sede capital da província com o mesmo nome, celebra, em 1 de Julho deste ano, o centésimo (100.º) aniversário da sua fundação, com intenções e olhos postos no desenvolvimento, a julgar pelos galopantes e significativos passos que vem dando, nos últimos anos, nos domínios político, social, económico e cultural.

Uíge, ex-cidade de Carmona, foi fundado por ordem do capitão-mor do Bembe, Manuel José Pereira, a 1 de Julho de 1917, que mandou construir uma fortaleza na então Praça de Lisboa, hoje Largo 10 de Dezembro, localizado entre os edifícios do Governo Provincial, Correios, Tribunal Militar da Região Norte e as Direcções de Agricultura e Finanças, tendo nomeado, na altura, Alferes Júlio Tomás Berberan como o seu primeiro comandante.

Com uma superfície de 3.600 quilómetros quadrados, a capital da província do “bago vermelho”, com um clima húmido tropical, está limitado a Norte pelos municípios de Mucaba e Songo, a Sul pelo Dange Quitexe, a Leste pelo Negage e a Este pelos municípios de Ambuila e Songo.

A origem do seu nome, Uíge, tem variadíssimas interpretações, desde o nome de um riacho situado na Serra do Uíge à má interpretação dos portugueses, dada a sua dificuldade de corresponder à palavra Kikongo “Uiza”, com que os nativos desejaram as boas vindas.

Situado a Norte da capital do país, Luanda, a aproximadamente 350 quilómetros, via Caxito, o município do Uíge suporta mais de um terço do total dos habitantes de toda a província, com uma população de 519.196 habitantes, dos quais 263.754 são mulheres, distribuídos em 21 regedorias, 81 povoações, bairros e 12 quarteirões do centro da cidade.

O município é hoje o epicentro de desenvolvimento da província, que se vai desabrochando para o interior, no intuito de suprir as assimetrias a nível de toda a região que compreende 16 circunscrições territoriais (municípios) e 31 comunas.

Educação

O município do Uíge possui 127 escolas, incluindo nas aldeias, das quais 113 do ensino primário, 13 do I ciclo do ensino secundário e 11 outras do II, inclusive ensino especial, que proporciona conhecimentos específicos e tecnológicos, com vista à inserção socioprofissional de pessoas portadoras de deficiência.

O subsistema de ensino não-universitário no município do Uíge é assegurado por quatro mil e 297 professores, entre técnicos básicos, médios e superiores.

Quanto à alfabetização e aceleração escolar, as autoridades administrativas do município trabalham com dois programas, nomeadamente, “Sim eu posso” e “Gostar de ler e escrever”, cuja aplicação levou o ministro da Educação, Pinda Simão, a considerar, há dois anos, na aldeia Cunga Quiximba, o município do Uíge livre de analfabetismo, sagrando-o como vanguarda na luta contra este mal.

Sendo o município-sede da província, conta, igualmente, com duas unidades orgânicas de ensino superior, designadamente, o Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) e a Universidade Kimpavita, inserida na Sétima Região Académica. Ambas têm contribuído para a formação superior da população, maioritariamente jovem.

Saúde

A aposta do sector da Saúde consiste na humanização dos serviços, no aumento da oferta dos serviços básicos à população e na implementação de brigadas móveis de luta contra a malária, atenção à mulher grávida, às crianças e aos idosos.

O quadro sanitário do município do Uíge é constituído por 48 unidades sanitárias, das quais uma maternidade municipal de referência, seis centros médicos e 41 postos de saúde assegurados por 10 médicos, 252 enfermeiros, além do pessoal administrativo.

É na sede do município onde está, igualmente, localizada a maior unidade hospitalar provincial.

Energia e Águas

Com a chegada da energia de Capanda à cidade do Uíge, num total de 89 MW, o sector regularizou o fornecimento do produto aos munícipes, controlando 80.764 consumidores de energia eléctrica, dentre os 39 milhões e 309 mil MW/hora de energia distribuída. A sua rede encontra-se em franca expansão para os distintos bairros periféricos da urbe.

Relativamente ao fornecimento de água, sob égide da Empresa de Águas do Uíge, a urbe ganhou uma dinâmica através de dois grandes projectos do Governo – um a cargo da Empresa TSE e o “Programa Água para Todos” – tendo sido lançados mais de 150 quilómetros de tubagem com 11.281 ligações domiciliares para a distribuição de 361.438 metros cúbicos de água/dia.

Habitação

No quadro da política habitacional do Executivo, o município beneficiou, igualmente, de dois projectos, nomeadamente, a Centralidade de Quilomoço, com mil e 10 apartamentos já concluídos (numa primeira fase), aguardando pela recepção dos seus futuros moradores, e as “90 Casas da Juventude, na área de Catapa.

Neste domínio, é notório, ao mesmo tempo, o desenvolvimento e o alargamento da cidade, com a construção de habitações particulares, aumentando, assim, o nível da qualidade de vida dos munícipes. Para a autoconstrução dirigida, o município conta com duas reservas fundiárias.

Comércio, Hotelaria e Indústria

O sector do Comércio, Hotelaria e Turismo desenvolve-se de uma forma promissora, com a participação activa de jovens empreendedores que se afirmam no mercado local, à procura de novas oportunidades, o que proporciona ambiente favorável aos munícipes e não só, tendo criado, nos últimos anos, mais de cinco mil novos postos de trabalho.

O sector controla 15 armazéns, 23 peixarias, cinco explanadas, seis centros recreativos, 19 bombas de combustível, 780 cantinas, seis restaurantes, 70 lanchonetes, 90 hotéis e similares, quatro centros turísticos rurais e outros.

Quanto à Indústria, embora de forma embrionária e com as unidades fabris de pequeno porte, o sector vem conhecendo, timidamente, nos últimos anos, um desenvolvimento susceptível de alavancar a economia da circunscrição, em particular, e da região, em geral.

O município do Uíge, sede da província com o mesmo nome, possui uma fábrica de cimento cola, numa iniciativa privada, 115 fornos de pão, 17 panificadoras, três pastelarias, 25 moagens de fuba de bombó, 20 serralharias, 21 alfaiatarias e outros.

Agricultura e Pecuária

Potencialmente agrícola, devido à sua bacia hidrográfica, o Uíge destaca-se no cultivo de café, mandioca, banana, ginguba, batata-doce, feijão, milho e outros.

É notória ainda a existência de oito cooperativas agrícolas com 4.510 membros, 64 associações de camponeses, 54 das quais assistidas pela Extensão de Desenvolvimento Agrícola (EDA), assim como 103 pequenas empresas agrícolas e mil e 436 produtores de café.

No município, destacam-se, igualmente, empreendedores que se dedicam ao ramo agro-pecuário, com a criação de animais de pequeno e grande portes, e à piscicultura.

Assim, o município controla dois mil bovinos, oito mil caprinos, assim como 250 suínos, 170 ovinos e 2000 aves. (ANGOP)

por Santos Kiala

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