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Falta de pagamento em Moçambique e Angola coloca em risco investimento brasileiro em África

Uma dívida em Moçambique e uma negociação difícil em Angola puseram em risco o negócio do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), instituição pública do Brasil que financiou projetos em África nos últimos anos.

Segundo a reportagem publicada pelo jornal brasileiro Folha de S. Paulo, o Governo de Moçambique não pagou cerca de 15 milhões de dólares (13,3 milhões de euros) de um empréstimo para a construção do aeroporto de Nacala, valor que representa a soma de duas parcelas do financiamento que o BNDES concedeu à uma construtora para executar a obra em Moçambique.

A situação chama a atenção já que o Brasil é um dos principais investidores estrangeiros de Moçambique e grandes empresas do país sul-americano como a mineradora Vale podem precisar de financiamento para empreendimentos no país africano.

Em Angola, o mesmo BNDES está a negociar para evitar a perda de garantias associadas à obra da hidroelétrica de Laúca.

O Governo angolano quer diminuir estas garantias com a alegação de que o banco público brasileiro cancelou a segunda fase do projecto, orçada em 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros). A primeira fase da hidrelétrica de Laúca já custou 500 milhões de dólares (446 milhões de euros). A negociação é considerada importante já que no ano passado Angola parou de depositar as garantias, em incumprimento com o contrato com o BNDES.

A suspensão do pagamento foi uma retaliação ao banco brasileiro, que interrompeu as transferências para obras das empreiteiras investigadas pela Lava Jato, uma operação policial que descobriu desvios de dinheiro público em órgãos estatais do Brasil e também em contratos de financiamento para empresas privadas que actuam no exterior.

A reportagem da Folha de S. Paulo informou que Angola ficou perto de se tornar inadimplente (em incumprimento) com o Brasil há um mês. Segundo a publicação, isso só não ocorreu porque o país africano depositou 150 milhões de dólares (133,8 milhões de euros) e garantiu os pagamentos até Setembro. (Observador)

por Lusa

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