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Queda de Mossul, baluarte jihadista, significará breve derrota do Daesh?

As tropas iraquianas retomaram o controle sobre a principal mesquita de Mossul, na qual o próprio líder jihadista, Abu Bakr al-Baghdadi, havia proclamado a criação do seu califado. Embora a cidade ainda não tenha sido libertada por completo, a simbólica conquista pode significar “o final do falso Estado do Daesh”, anunciou o premiê iraquiano.

A operação para libertar Mossul começou formalmente em Outubro de 2016, quando o primeiro-ministro iraquiano, Haider Abadi, anunciou a entrada de unidades de infantaria na cidade. A ofensiva para libertar as regiões próximas de Mossul havia começado em Março do mesmo ano.

Vários especialistas prognosticavam que a tomada da cidade havia sido planeada para que o seu fim coincidisse com o termo da corrida presidencial dos EUA. Porém, em Janeiro de 2017, quanto o candidato republicano, Donald Trump, já havia tomado posse na Casa Branca, a coligação internacional encabeçada pelos EUA tinha debaixo do seu controle apenas alguns bairros da cidade.
A operação causou 700 mil deslocados, de acordo com os últimos comunicados do Ministério da Migração iraquiano. O número total de vítimas civis ainda não foi especificado.

Mudança de frente
Em Março de 2017, o canal árabe Al Sumaria anunciou que o líder do Daesh, reconhecia a batalha por Mossul como perdida e apelava aos seus seguidores para que abandonassem a cidade e se unissem na Síria. Hoje em dia, o destino do próprio Abu Bakr al-Baghdadi continua incerto.

Nos meados de Junho, o Ministério da Defesa da Rússia comunicava que o líder terrorista poderia ter sido eliminado durante uma operação da aviação russa perto da cidade de Raqqa. Duas semanas depois, a televisão iraniana mostrou imagens do suposto cadáver do líder jihadista. Porém, a informação nunca chegou a ser confirmada definitivamente

De facto, as forças do Daesh já estavam a abandonar a cidade desde os finais de 2016 e se instalavam na frente síria. Assim, os jihadistas aproveitaram um corredor que a coligação lhes tinha deixado livre para deixar a cidade. O chefe da Hezbollah, grupo xiita que luta contra o Daesh na Síria, acusou os EUA de facilitarem a saída dos extremistas para que estes combatessem contra o governo sírio.

A deslocação dos extremistas do Iraque para a Síria, evidentemente, acarretaria complicações para as forças sírias e os seus aliados. Particularmente, em Dezembro de 2016 foram os combatentes do Daesh que, após abandonarem o Iraque, retomaram o controle sobre a cidade de Palmira, enquanto a maior parte das forças governamentais se encontrava combatendo em Aleppo.

Mas a Síria não é o único lugar para onde os extremistas podem se deslocar. Boris Dolgov, investigador do Centro de Estudos Árabes da Rússia, recordou em uma entrevista concedida ao RT que os líderes do Daesh apelaram aos seus seguidores para que se instalassem no Afeganistão, Líbia e inclusive na Europa, fazendo-se passar por refugiados.

“Aí, os jihadistas já criaram células terroristas dormentes. Do mesmo modo, podem actuar no Iraque. É suficiente se misturar com a população local”, advertiu Dolgov.

Mudança de táctica

Ao contrário da administração anterior, Donald Trump não parece considerar os islamistas radicais como um instrumento para promover seus interesses na região. Durante a sua campanha presidencial, criticou ferozmente a sua rival democrata, Hillary Clinton, acusando-a de provocar a ascensão dos grupos extremistas enquanto ocupava o cargo da secretária de Estado, na época da chamada Primavera Árabe.

Agora, a prática de “deslocação” de grupos extremistas em conformidade com a conveniência americana parece ter chegado ao fim. Segundo informou em Maio de 2017 o novo secretário de Defesa, James Mattis, o Pentágono aplicaria uma nova táctica no Iraque e na Síria, promovida pelo próprio Trump.

Embora a recuperação de Mossul seja um marco importante da luta contra o Daesh, ainda não se prevê o fim da “guerra contra o terrorismo”. Os líderes jihadistas são pessoas altamente motivadas e disciplinadas, com conhecimentos de tácticas de guerrilha. Tudo parece indicar que a queda final do Daesh está ainda em um futuro bem distante. (Sputnik)

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