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África do Sul: ANC em crise debate futuro

Congresso Nacional Africano reúne-se para decidir qual o caminho a seguir, numa altura em que os escândalos de corrupção envolvendo o Presidente Jacob Zuma levaram à diminuição dos apoios.

O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, dá início esta sexta-feira (30.07) a uma conferência para debater o seu futuro político. Na agenda do encontro destacam-se as reformas económicas, numa altura em que o ANC tenta recuperar o apoio perdido face a inúmeros escândalos de corrupção envolvendo o Presidente Jacob Zuma.

Nas ruas, quase todos os dias há manifestações populares exigindo a demissão do chefe de Estado. A oposição aproveitou a onda de descontentamento para se unir contra o Presidente e o Parlamento está actualmente a
debater uma moção de censura.

É neste ambiente político explosivo que o ANC tenta recuperar a sua popularidade. Até à próxima quarta-feira, dia 5 de julho, 3 mil membros do partido no poder reúnem-se para debater o caminho a seguir. O foco estará na transformação social e económica do país, numa altura em que a economia sul-africana enfrenta uma recessão.
Ao mesmo tempo, os dirigentes do ANC temem o aumento das divergências no seio do partido com o debate em torno da sucessão de Jacob Zuma, a cumprir o segundo e último mandato. O Congresso Nacional Africano está a contar com a conferência para unir o partido, de olhos postos na eleição presidencial de 2019.

Para o analista político Daniel Silke, “esta é uma conferência política muito importante”, já que vai servir de base para o congresso do ANC, marcado para dezembro, que inclui a eleição do novo líder do partido. Este encontro, diz o analista, “vai mostrar que facções do ANC estão na corrida à liderança e se os programas do partido vão tornar-se mais populistas e radicais ou mais subtis e abertos à interpretação”.
“Vamos saber quais são os grupos que vão ditar quem será o novo presidente”, resume Silke.

Rumo a uma nova liderança?

Segundo o analista, a orientação dos programas políticos do partido pode gerar uma grande controvérsia entre os membros do ANC. E já há medidas polémicas em curso: recentemente, o Ministério das Minas decidiu que as empresas mineiras deverão entregar 30 – em vez dos iniciais 26% – dos negócios a accionistas negros no espaço de um ano. A medida está a causar indignação entre as empresas do sector, que perderam cerca de 60 mil empregos nos últimos

cinco anos.

Theo Venter, analista político da Universidade de North-West, na África do Sul, vê esta decisão do Governo como uma tentativa de “marcar pontos” junto dos apoiantes. Segundo o investigador, o grupo “pró-Zuma” do ANC quer passar a imagem de um partido de acção e não apenas de retórica vazia.

“Os sul-africanos perderam a confiança no ANC. E há duas tendências: de um lado, há pessoas a passar para outros partidos. Do outro, pessoas que se afastam das eleições como forma de protesto. É neste ambiente que acontece a conferência do ANC, que quer recuperar estes apoios”, explica Venter.

O Presidente Jacob Zuma tem sido muito criticado pelos escândalos de corrupção e as suas ligações à influente família Gupta. As últimas mudanças no Executivo, em abril, levaram as agências de notação financeira a baixar a classificação do país, aumentando a pressão sobre os mercados financeiros e os bancos.
“O ambiente é tenso no ANC. O partido está preocupado”, diz o analista Daniel Silke. Por isso, acrescenta, o ANC “tem esperança numa nova liderança no final do ano, em quem vencer no congresso do partido.”

Ramaphosa vs. Dlamini-Zuma

O vice-Presidente, Cyril Ramaphosa, um dos homens de negócios mais ricos do país, já se mostrou interessado em assumir a liderança do ANC. Tem pela frente Nkosazana Dlamini-Zuma, a ex-mulher do Presidente sul-africano – que liderou a União Africana até ao início deste ano e que conta com o apoio do ex-marido e dos seus apoiantes.
Segundo os observadores, é pouco provável que a conferência que arranca esta sexta-feira resulte na escolha de um destes dois “pesos-pesados”. Mas o analista político Theo Venter alerta para as consequências da indecisão no seio do ANC, numa altura em que “os dois aliados, o Partido Comunista sul-africano e a a maior central sindical do país, o Cosatu, já disseram publicamente que o Presidente deve demitir-se e apoiam Cyril Ramaphosa”.

“Outras estruturas do ANC, como a juventude do partido e a liga das mulheres, apoiam o outro lado. Está muito dividido. E se não houver um compromisso entre estas duas facções, o ANC vai ter problemas sérios nas presidenciais.” (DW)

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