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A médio prazo, Angola é dos países de menor risco político, diz Fitch

Angola é dos países de menor risco político na África Austral, considera a unidade da Fitch especializada em investigação, a BMI Research, no seu último relatório sobre o continente

Angola apresenta, a curto prazo, um dos menores riscos políticos da região, mesmo tendo em conta a proximidade de eleições, posicionando-se logo a seguir às Maurícias e ao Botswana e antes da África do Sul, Namíbia, Zâmbia, Moçambique, Madagáscar e Zimbabwe, refere o último relatório ‘Africa Monitor’ da BMI Research, a que OPAÍS teve acesso.

A BMI Research, unidade de análise da Fitch, uma das três maiores empresas de ‘rating’ do mundo e que vem dando notação ao risco soberano de Angola, divulga habitualmente, no ‘Africa Monitor’ o seu ‘índice de risco’, tanto na vertente política como na económica e na ‘operacional’.

O ‘Index de Risco por País’ da BMI classifica cada um dos países numa escala de zero a 100, avaliando a estabilidade política a curto e longo prazo, o potencial económico e as barreiras ‘operacionais’ que se colocam à realização de negócios.

A nível imediato, o ‘risco político’ apresentado por Angola é significativamente inferior ao seu ‘risco económico’, 67,5 e 44,8, respectivamente. Ambas as notas pioram a longo prazo, mais a atribuída ao ‘risco político’ do que a dada ao ‘risco económico’.

No curto prazo, Angola apresenta maior risco económico que a maioria dos países da África Austral, ficando à frente do Madagáscar e Zimbabwe. No médio prazo, porém, troca de posição com Moçambique quanto ao risco económico, sobretudo devido ao agravamento deste indicador no país do Índico.

O que mais negativamente afecta a posição de Angola é o designado ‘risco operacional’, ligado à maior ou menor facilidade em concretizar negócios. É o domínio em que o país apresenta a sua pior classificação (31,1), inclusive a mais baixa entre todos os países da África Austral.

No geral, os países da África Austral pioram ligeiramente, tanto quanto ao risco político quanto ao económico a prazo mais dilatado.

A Fitch, que acaba de apresentar perspectivas muito mais animadoras para a evolução da economia mundial que as restantes entidades e agências internacionais (ver caixa), antecipa igualmente que o preço do barril de petróleo recomeçará a recuperar já no terceiro trimestre e se consolidará no seguinte, devido a um aumento da procura, que pressionará a oferta e reduzirá, finalmente, o nível de ‘stocks’, o grande objectivo da OPEP, a organização dos países exportadores de petróleo e dos restantes produtores que se lhe associaram na decisão de cortar cerca de 1,8 milhões de barris à produção diária da matéria-prima até ao final de Março de 2018.

A BMI estima que, em média, o preço do Brent (referência das ramas angolanas) se fixe em USD 57 por barril em 2017 e em USD 60 em 2018, ‘uma visão mais positiva que a partilhada pela maior parte do mercado’, salienta o documento.

Economia cresce 4,1% em 2018

Preços mais elevados do barril de petróleo permitirão a Angola recuperar a sua economia nos próximos dois anos, diz a BMI. Mas, a despeito da melhoria das perspectivas para a evolução da indústria petrolífera, a actividade nos restantes sectores será condicionada por uma ‘inflação muito elevada’ e um ambiente de negócios medíocre.

A economia, que continuará, assim, a ser ‘empurrada’ pelo sector petrolífero, crescerá dos 0,3% estimados para 2016, para 2%, projectados para 2017, e 4,1% em 2018, ‘ficando, contudo, bem abaixo da média anual de 6,8% registada entre 2006 e 2016’.

O relatório assinala que, mesmo após a queda do preço do petróleo, a produção da matéria-prima ‘continua a dominar a economia, correspondendo a 95,2% do total das exportações e a 70,2% da receita orçamental em 2016, o que significa que a evolução do mercado petrolífero internacional continua a ditar as perspectivas a curto e médio prazo para a economia angolana’. Aos constrangimentos representados pela inflação e pelo ambiente de negócios, a BMI acrescenta a ‘incerteza’ quanto à condução futura da política cambial pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Novo aeroporto de Luanda e porto de Cabinda avançam

O relatório, reflectindo as projecções que faz para o preço do petróleo, antecipa que as receitas governamentais cresçam cerca de 29,7% este ano e 21,8% no próximo. Depois de lembrar que a despesa pública representa a quarta parte da riqueza anual criada em Angola (PIB) e que o investimento público é essencial para um largo número de projectos de construção e desenvolvimento, a BMI diz-se convicta que, após os adiamentos verificados em 2016 em resultado da vulnerabilidade da situação fiscal, o rendimento acrescido proveniente do aumento da receita petrolífera recolocarão na ordem do dia projectos como a construção do novo aeroporto de Luanda e do porto de águas profundas em Cabinda.

A recuperação do preço do petróleo também se repercutirá positivamente no câmbio do kwanza, designadamente no mercado paralelo. O reforço cambial da moeda nacional terá consequências benéficas sobre as importações, um factor favorável para a economia não petrolífera.

O relatório nota que, embora a cotação do kwanza ainda seja elevada no mercado paralelo, caiu drasticamente desde os piores momentos da crise petrolífera em 2016. Não só o preço do petróleo vai subir até USD 60 por barril, como Angola vai produzir um maior volume da matéria-prima energética, atendendo a que irão entrar em operação projectos em desenvolvimento.

Com o preço do barril a USD 60 e a entrada em operação do projecto Kaombo da Total, no bloco 32 do offshore nacional, o maior investimento desde sempre efectuado no país, e que irá dar um significativo contributo para a produção petrolífera total, o sector petrolífero vai intensificar o ritmo de crescimento. Este ano, prevê a BMI, a expansão não deverá ir além de 0,2%, mas, em 2018, atingirá uns ‘robustos’ 6,6%, graças à maior maturidade do projecto Kaombo.

Com reservas estimadas em mais de 600 milhões de barris, os dois FPSO (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo) do Kaombo deverão produzir cerca de 230 mil barris por dia em 2019/2020.

Além disso, o recuo na quota de mercado detida nos Estados Unidos será mais que compensada pela crescente procura da produção petrolífera angolana pela China.

O relatório da BMI Research insiste no facto de que a recuperação da economia angolana só não é mais sustentada devido à ‘pobre’ envolvente dos negócios, o que abre poucas oportunidades de crescimento fora do sector petrolífero.

Recuperação global mais forte

A Fitch Ratings, nas suas perspectivas para a economia global (‘Global Economic Outlook’), actualizadas este mês de Junho, considera haver um fortalecimento da recuperação da economia mundial, cujo ritmo de crescimento deverá subir para 2,9% este ano e 3,1% no próximo, a mais elevada variação conseguida desde 2010. O reforço do crescimento é fundamentado pela melhoria ‘sincronizada’ da situação, tanto nas economias avançadas como nos mercados emergentes.

Tal fica a dever-se, entre as primeiras, a políticas macroeconómicas e a mudanças no mercado de trabalho, enquanto a reviravolta no mercado de habitação da China, iniciada em 2015, e a recuperação dos preços das matérias-primas, desde o princípio de 2016, tem alimentado a recuperação da procura nas economias emergentes.

E o maior incremento no crescimento, em relação às estimativas da Fitch formuladas em Março passado, é representado pela Zona Euro. A agência de análise de risco não deixa, no entanto, de alertar para a existência de alguma incerteza no plano monetário e financeiro, com a China a ver estreitar-se a obtenção de crédito.

Mapa para investidores

O ‘Africa Monitor’ da BMI inclui a análise de especialistas sobre a evolução política e económica em África, bem como sobre o desenvolvimento dos negócios no continente. Mais de metade das empresas listadas no celebrado ranking elaborado pela revista Fortune, que reúne as 500 maiores empresas globais, recorre à análise da BMI para avaliar as oportunidades e riscos na região. ( O País)

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