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Donald Trump: mais próximo do mercantilismo do que do protecionismo

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O presidente americano, Donald Trump, frequentemente acusado de ser proteccionista, é também considerado um mercantilista pelos economistas, que não hesitam em remontar ao século XVII para encontrar as influências de sua política económica.

“Do ponto de vista comercial, sim, sua visão é mercantilista, mas um mercantilismo re-condicionado”, explica à AFP James Galbraith, professor de Economia da Universidade do Texas, referindo-se à ambição de Trump de reequilibrar a balança comercial de seu país.

O presidente americano estabeleceu como meta reduzir o deficit comercial de seu país, e acusa os países que vendem muitos produtos aos Estados Unidos enquanto compram pouco.

A China, classificada por Trump de “maior ladra da história” durante sua campanha eleitoral, lidera essa lista negra, onde também estão México e Alemanha, cujos superávits comerciais batem recordes.

Para isso, o presidente americano faz ameaças, como as impor fortes tarifas alfandegárias às importações.

“Precisamente, o mercantilismo consiste em favorecer as exportações e proteger as fronteiras para limitar as importações e evitar que a riqueza deixe o país”, ressalta Eric Berr, professor na Universidade de Burdeos.

Nos reinos onde o manual mercantilista foi aplicado, como a França de Colbert, e também a Espanha o Inglaterra, “a economia devia estar ao serviço do rei”, lembra.

“Manter a riqueza no país servia para financiar um exército, o que permitia conquistar outros territórios e assegurar sua defesa”, acrescenta Berr.

Responsável pelo Conselho de Comércio Nacional, recém-criado e dependente da Casa Branca, Peter Navarro manteve recentemente esse mesmo tipo de linguagem: “Por razões económicas e de segurança, é importante reequilibrar o comércio americano”, afirmou.

“Cada vez que há proteccionismo, a tendência é, vendo as coisas de longe, dizer que se trata de mercantilismo”, constata Jean-Yves Grenier, diretor de pesquisa da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Ehess), especializado na história das ideias económicas.

A China, por exemplo, foi muitas vezes apresentada como mercantilista nesses últimos anos por ter desenvolvido sua indústria favorecendo as exportações e limitando as importações. Em seus discursos, Trump deseja o mesmo para seu país.

– Trump “não é um rei” –

Para Grenier, Trump é mercantilista quando ameaça industriais —entre eles os fabricantes de automóveis— com a aplicação de medidas de represália caso tirem suas fábricas a outros países, para produzir mais barato.

“É uma ideia totalmente mercantilista”, que consiste em implementar “uma política económica muito ofensiva para manter o trabalho no território nacional”, disse Grenier.

“Os mercantilistas querem uma balança comercial positiva” e portanto “uma balança-trabalho positiva, ou seja, fazer mais gente trabalhar no país do que no exterior”, explica.

Resta saber se essa política económica, que inspirou as épocas pré-liberais, pode ter sucesso 200 anos mais tarde. Para Galbraith, a reposta é “não”.

“O presidente de Estados Unidos não é um rei, e suas medidas não vão se prolongar por décadas”, alega.

“Para convencer as empresas que invistam na produção nos Estados Unidos, Trump deve convencê-las de que suas medidas vão durar”, diz. Se não for assim, correm o risco de quebrar no dia em que “as tarifas alfandegárias forem reduzidas ou suprimidas”, explica Galbraith.

No comércio globalizado de hoje, os produtos chineses submetidos a essas tarifas podem ser substituídos por outros, procedentes de países como Vietname ou Tailândia, que poderiam driblar as barreiras alfandegárias dos Estados Unidos, alerta Galbraith. (AFP)

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