Caso Barroso não é para ser tratado com António Costa, diz Comissão Europeia

O primeiro-ministro português pediu esclarecimentos a Juncker, mas a Comissão vem agora dizer que o assunto é para ser tratado directamente com o ex-presidente e não com o Governo português, adianta o Expresso.

A Comissão não vai prestar esclarecimentos a Portugal sobre o facto de ter decidido deixar de receber Durão Barroso como antigo presidente da instituição passando a tratá-lo como lobista, escreve o jornal Expresso. A questão é para ser tratada directamente com Durão, afirma um porta-voz da comissão citado pelo jornal.

Depois de, num primeiro momento, o ministro dos Negócios Estrangeiros ter afirmado que a decisão da Comissão Europeia era “uma questão que não diz respeito ao Governo português”, António Costa acabou mesmo por confrontar Jean-Claude Juncker.

No final da cimeira informal de líderes europeus, que decorreu em Bratislava no passado dia 16 de Setembro, o primeiro-ministro explicou em declarações aos jornalistas que perguntara ao presidente da Comissão – “pedi aliás esclarecimentos”, frisou – sobre “a decisão tomada relativamente ao dr. Durão Barroso comparativamente a outros antigos membros da Comissão que estariam em situações similares, visto que é preciso também assegurar que não há nenhum tratamento discriminatório relativamente a ninguém, independentemente da avaliação que façamos da decisão do dr. Durão Barroso, que é para já uma decisão pessoal”.

Junker ficou, então, de lhe enviar uma resposta por escrito, mas, escreve agora o Expresso, os esclarecimentos ainda não chegaram e nem vão chegar. O jornal questionou a Comissão Europeia e a resposta foi que não há nenhuma carta e que “este não é um assunto para ser tratado entre o primeiro-ministro português e o Presidente da Comissão, mas entre a Comissão Europeia e o Sr. Barroso directamente”.

Durão Barroso, recorde-se, elogiou a atitude de António Costa, afirmando que ficou satisfeito. “Penso que [o primeiro-ministro] entendeu que havia aqui um caso de discriminação e pediu formalmente ao presidente da Comissão [Jean Claude Juncker], porque entendeu que devia pedir. Agiu com muita dignidade, defendendo aquilo que é uma posição portuguesa”, afirmou Durão Barroso.

Apesar de o ex-presidente da Comissão Europeia afirmar até à exaustão que a sua opção de trabalhar na Goldman Sachs é pessoal e perfeitamente lega – “Não fui para nenhum cartel da droga, estou a trabalhar numa entidade legal” – a Comissão já lhe pediu mais detalhes sobre as suas novas funções, que deverão depois ser avaliados pela comissão de ética. (Negocios)

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