Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

Abstenção “vence” segunda volta das presidenciais em São Tomé

Menos de metade dos 111.222 eleitores são-tomenses não votaram na segunda volta das presidenciais de domingo. O candidato único, Evaristo Carvalho, obteve 42.058 votos, segundo dados provisórios da Comissão Eleitoral.

Evaristo de Carvalho, o candidato apoiado pela Acção Democrática Independente (ADI), o partido no poder, conseguiu 46% dos votos numa eleição controversa, depois de Manuel Pinto da Costa, o actual Presidente, ter recusado submeter-se novamente a votos, denunciando fraude eleitoral.

A taxa de abstenção foi de 54%, de acordo com os resultados provisórios divulgados pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Alberto Pereira. Dos 111.222 inscritos, votaram 51.173. Houve 1.548 votos em branco e 7.567 votos nulos.

Na sede de campanha de Evaristo Carvalho o ambiente não era de euforia. Ainda assim, o próximo chefe de Estado manifestou-se satisfeito com os resultados. “Os resultados provisórios que foram divulgados pela CEN satisfazem-me profundamente, porque, afinal de contas, a vitória da minha candidatura foi tranquila, consequente”, declarou Evaristo Carvalho.

“Para mim é um objectivo atingido”, sublinhou o vice-presidente da ADI, lembrando que na primeira volta obteve mais de 34 mil votos e na segunda volta deste domingo (07.08) mais de 42 mil votos. Para o candidato apoiado pelo partido no poder, vai começar “uma nova era de trabalho”, de mãos dadas “com a coesão política e com a estabilidade governativa”, para fazer o país avançar.

Oposição frágil

O analista Liberato Moniz considera que a configuração política que agora surge pode levantar preocupações, tendo em conta a fragilidade que os partidos da oposição revelam. “Temos uma sociedade civil dentro e fora do país que está mais atenta, mais forte e mais reivindicativa. Daí uma grande crítica aos partidos da oposição que não se têm feito ouvir e dizer das suas verdades, pelo menos para contrapor, para se saber com quem podemos contar”, disse em declarações à DW África.

Sem oposição, a democracia pode estar em perigo, sublinha o analista são-tomense. “Temos um Governo que já em 2010, quando foi Governo pela primeira vez, mostrou uma certa arrogância, uma certa prepotência, do tipo eu sei, eu quero, eu posso, eu mando. E na democracia isso não funciona”.

Outro indicador preocupante, segundo Liberato Moniz, é a ausência do contraditório, uma das características da democracia. “Até hoje, não temos um debate na televisão e na rádio nacionais. É um mau indicador também para o futuro de São Tomé e Príncipe”, alerta. “Espero que os órgãos de soberania possam ter consciência de que o país, assim, não vai lá”.

Protestos

Os ex-candidatos Manuel Pinto da Costa e Maria das Neves, actual vice-presidente da Assembleia Nacional – que concorreu com apoio do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), o maior partido da oposição – não votaram em atitude de protesto, depois de terem denunciado anomalias, erros graves e fraude na primeira volta das eleições, a 17 de Julho.

O actual Presidente da República, Pinto da Costa, o segundo candidato mais votado, desistiu da corrida para não sancionar as irregularidades que foram apresentadas, nomeadamente ao corpo diplomático acreditado no país.

O protesto estendeu-se à sociedade civil. Nos últimos dias, realizaram-no no arquipélago vigílias em frente de tribunais e manifestações organizadas pela oposição. (DW)

Deixe uma comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »