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BPI. Assembleia decide continuação de Ulrich em clima de tensão acionista

Acionistas do BPI votam mudança de estatutos para permitir manter Fernando Ulrich à frente do banco. Alteração exige dois terços dos votos, em clima de desacordo entre CaixaBank e Isabel dos Santos.

O BPI realiza esta quinta-feira a assembleia geral anual. Mas para além da aprovação das contas do ano passado e da política de remunerações, volta a estar em cima da mesa uma proposta de alteração dos estatutos que permitirá a Fernando Ulrich manter-se como presidente executivo do banco. A reunião realiza-se esta manhã no Porto.

Em causa está a alteração do limite de idade fixado para o presidente da comissão executiva que é de 62 anos, idade já ultrapassada pelo atual CEO. Segundo o BPI, chegou-se “à conclusão de que a regra estatutária que impede a designação para a comissão executiva de membros do conselho de administração que, a 31 de dezembro do ano anterior à data de designação, tenham idade igual ou superior a 62 anos se revela demasiado restritiva, no sentido que impede a implementação de soluções de composição daquele órgão executivo que são do interesse do Banco BPI”. Esta alteração surge numa altura em que se fala da ida do vice-presidente do banco, António Domingues, para a Caixa Geral de Depósitos.

Esta proposta deverá ter o apoio do maior acionista do banco, segundo informação avançada já pelo Jornal de Negócios. Mas uma vez mais, o voto do CaixaBank não será suficiente para a fazer passar porque são necessários dois terços do capital representado em assembleia geral para mudar os estatutos do BPI que continuam, para já, blindados a 20% dos direitos de voto.

O que, uma vez mais, pode colocar o poder de decisão do lado da Santoro, de Isabel dos Santos, numa altura em que permanece o desacordo entre a empresária angolana e o CaixaBank sobre a solução para resolver o problema da excessiva exposição do BPI em Angola. Mais que uma divergência parece haver um clima de tensão crescente também com a gestão do banco português, a avaliar pelo tom e teor dos comunicados divulgados na semana passada.

Depois de um acordo divulgado a 10 de abril, o BPI anunciou uma semana depois a rutura atribuindo as culpas a Isabel dos Santos a quem acusou de ter feito exigências de última hora que não estavam previstas no acordo inicial. Na sequência deste novo fracasso, o CaixaBank anunciou o lançamento de uma nova oferta pública de aquisição (OPA) sobre o banco português.

Entretanto, o governo já aprovou (e Marcelo Rebelo de Sousa promulgou) um decreto-lei que permite alterar a blindagem dos estatutos no setor bancário, mas que só entrará em vigor a 1 de julho. Uma lei feita à medida do BPI e de Isabel dos Santos, pelo menos na leitura feita da empresária angolana que, em comunicado, acusa o governo português de ter feito um diploma que “favorece uma das partes, no momento em que estas se encontram em pleno processo negocial”.

Neste comunicado, Isabel dos Santos questiona também a versão que o BPI deu sobre o último fracasso das negociações, assegurando que o acordo ainda não estava fechado e dizendo que foi a CaixaBank que quis impor no contrato autorizações do Banco Nacional de Angola que não estavam ao alcance da Santoro garantir e diz que nunca aceitou um cenário defendido pelos espanhóis de entrega de ações do Banco do Fomento Angola aos acionistas minoritários sem assegurar a sua liquidez, designadamente através da cotação em Lisboa.

O BPI voltou a emitir um comunicado onde diz que não reconhece a versão dos factos dada pelo seu segundo maior acionista. A Santoro tem cerca de 19% do banco português. (OBSERVADOR)

por Ana Suspiro

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