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Haitong: CaixaBank segue em frente com a OPA e depois negoceia com Isabel dos Santos

O banco de investimento considera que, neste momento, o espaço para negociação entre os accionistas do BPI é “limitado” e que os catalães vão manter a oferta pública de aquisição sobre o banco.

O CaixaBank lançou, esta segunda-feira, uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI, oferecendo 1,113 euros por acção do banco português. Esta foi a reacção da instituição espanhola à falta de acordo com Isabel dos Santos para a resolução da exposição do BPI a Angola. Depois disto, o Haitong considera que a capacidade de negociação é “limitada” e que o CaixaBank pode decidir seguir em frente com a OPA e, se for bem-sucedido, negociar depois com a empresária angolana.

Depois da OPA lançada na segunda-feira pelo CaixaBank, Isabel dos Santos reagiu na terça-feira. A empresária criticou o Governo, o CaixaBank e o BPI, mas frisou “a intenção de conduzir este processo de forma a responder aos interesses de todas as partes”, reabrindo assim a porta à negociação, como o Negócios escreve na edição desta quarta-feira.

O Haitong sublinha, na nota diária desta quarta-feira, que o banco espanhol não divulgou ainda qualquer comunicado. “Contudo, depois de ter lançado formalmente uma oferta sobre o BPI, acreditamos que a sua capacidade para negociar uma solução diferente com Isabel dos Santos está, de alguma forma, limitada”, dizem os analistas Carlos Cobo e Juan Carlos Calvo.

“Acreditamos que o CaixaBank pode também decidir seguir em frente com a OPA e, se for bem-sucedido, negociar individualmente com Isabel dos Santos sobre o BFA e a posição da empresária angolana no BPI depois disso”, frisam os mesmos especialistas.

As acções do banco liderado por Fernando Ulrich voltaram a negociar, esta terça-feira, depois de seis sessões suspensas. Depois de pouco mais de uma hora e meia de negociação, terminaram com uma queda de 7,64% para os 1,10 euros, ficando abaixo dos 1,113 euros oferecidos pelo CaixaBank. Esta quarta-feira, seguem inalteradas, tendo oscilado entre uma subida para os 1,105 euros e uma queda para os 1,095 euros.

“Na nossa opinião, a OPA pode atrair muitos investidores devido ao potencial de desvalorização do BPI numa base independente e à provável menor liquidez da acção depois da operação, se tiver sucesso”, escreve o mesmo banco de investimento. O Haitong acredita que, “sem o apoio do CaixaBank, provavelmente será muito desafiante para o banco resolver o risco de concentração em Angola e isso iria provavelmente provocar penalizações ou sanções regulatórias que afectariam a avaliação da instituição”.

O BPI garantiu em comunicado, esta terça-feira, que “não está, neste momento, a ser sujeito a qualquer sanção pecuniária temporária do BCE”, mas aguarda uma decisão final do banco central da Zona Euro.

Assumindo que seis meses, o prazo máximo de aplicação das sanções, têm 26 semanas com cinco dias úteis cada uma, a penalização total que o BCE poderia aplicar chegaria a um máximo de 21 milhões de euros, estima o Haitong. “Isto representa cerca de 9% do lucro do BPI em 2015”, frisa. Sendo esta uma penalização temporária, e mantendo-se o problema da concentração de riscos, no médio prazo, o “BCE pode tomar mais medidas”, diz o banco de investimento.

Além disso, “sem o apoio do CaixaBank será também mais difícil para o BPI melhorar as suas métricas de eficiência e recuperar a rentabilidade das actividades domésticas”, realçam os mesmos analistas.

O Haitong avalia as acções do BPI em 1,20 euros e tem uma recomendação de “neutral”.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. (Jornal de Negocios)

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