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Reclusas de Viana apelam à maior solidariedade da classe feminina

(DR)

Mulheres detentas do Estabelecimento Penitenciário Feminino de Viana, em Luanda, solicitaram hoje, terça-feira, maior solidariedade da sociedade angolana para com a sua condição, sobretudo de individualidades femininas da classe política e cultural.

Falando à imprensa, a margem de um espectáculo músico-cultural amadrinhado pela cantora Pérola, naquela unidade prisional, para celebrar o Dia Internacional da Mulher, Lídia Madalena, detenta há dois anos e seis meses, disse esperar que essa iniciativa possa sensibilizar outras personalidades.

“ Espero que esse espectáculo sirva para despertar aquelas mulheres que nos olham como bichos, apenas como criminosas, para que deixem de o fazer e possam nos olhar como suas semelhantes que já se arrependeram e cumprem as suas penas”, advogou.

Na mesma senda, disse que embora privadas de liberdade estão com todas as mulheres angolanas e pediu às dirigentes que as visitem, pois precisam do seu calor.

Relativamente à sua situação, disse sentir-se confortável, pois é a condição resultante de erros do passado, mas sublinhou que o serviço prisional não é apenas cadeia, é um todo porque ali são reeducadas e aprendem muitas coisas.

“As funcionárias prisionais também nos têm ajudado muito, para compreendermos que cadeia não é cemitério, e àqueles familiares que nos abandonam digo-lhes que aqui nós aprendemos a ter uma nova vida, a viver com dignidade, a aprender o que é uma lei e não viver arbitrariamente”, enfatizou.

Na mesma senda, adiantou que agora tem tempo para se apegar mais à palavra de Deus e actualmente já prega e ajuda outras reclusas neste capítulo, assim como na transmissão de alguns conhecimentos que já possuía em termos de pastelaria, costura e educação de infância.

Já Cristina Moçambique, detida há quatro anos e condenada a oito, agradeceu a cantora Pérola por essa iniciativa e solicitou gesto semelhante de Yola Semedo, da qual se diz fã, e de outras mulheres influentes do país.

Enalteceu o papel da direcção dos serviços prisionais na ressocialização das reclusas, através da promoção de várias acções de formação e empregabilidade das detentas.

A este propósito, revelou que trabalha numa empresa de cosméticos, depois de beneficiar de formação em informática na cadeia.

“ Hoje sou formadora internacional e assistente administrativa para área de controlo e crédito, na referida empresa, onde diariamente entro 8h00 e larga as 17h30, para o regresso a cadeia”, explicou.

Visivelmente emocionada, afirmou que logo que sair da cadeia vai continuar a trabalhar, garantindo deste modo o sustento dos filhos como acontece actualmente.

“ Sempre pensei que a cadeia fosse uma pocilga e hoje digo que a única diferença com o mundo exterior é o facto de estarmos privadas de liberdade”, concluiu.

Duzentas e sessenta mulheres encontram-se actualmente presas no Estabelecimento Penitenciário Feminino de Viana, das quais 140 condenadas e 120 detidas com processo em tribunal. (ANGOP)

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