FMI modifica regras de empréstimos a países muito endividados

O FMI divulgou nesta sexta-feira uma nova doutrina para empréstimos excepcionais elevados a países fortemente endividados, substituindo uma regra criada em 2010 para ajudar a Grécia.

Na semana passada, o FMI tinha anunciado no fim desta “excepção sistémica” estabelecida para resgatar maciçamente a Grécia, devido às dúvidas sobre a viabilidade de sua dívida e com o objectivo de evitar uma reacção em cadeia nefasta para a economia europeia.

A instituição reconheceu em um informe publicado nesta sexta-feira que esta regra controversa não pôde evitar o “contágio” da crise, que significava um risco para os recursos do Fundo e que estimulava os credores a emprestar desmedidamente aos países com garantia implícita de que seriam reembolsados com recursos públicos.

Este mecanismo, criticado por alguns países emergentes que o consideravam um favor inventado para os europeus, também estava na alça de mira dos legisladores americanos do Partido Republicano, que pediam sua eliminação.

O novo esquema apresentado nesta sexta-feira ratifica seu desaparecimento e se concentra em uma zona chamada “cinza”, na qual a dívida de um país é declarada sustentável, mas “não com um alto grau de certeza” – uma das regras de ouro do FMI -, mas na qual uma redução frontal de seu endividamento seria muito arriscada.

Nestes casos, o Fundo poderá iniciar um financiamento com a condição de que o país receba em paralelo, de credores públicos e privados, fundos suficientemente importantes para facilitar o retorno a uma dívida sustentável e assegurar que a entidade financeira será reembolsado.

Uma reestruturação da dívida não será exigida “automaticamente”, mas poderia ser vislumbrada em função das circunstâncias, assegurou o FMI em uma nota explicativa.

Se o país perdeu acesso aos mercados financeiros, a reestruturação seria, então, “apropriada” e permitiria desta forma que as medidas económicas exigidas pelo FMI como contrapartida à sua ajuda sejam menos “estritas”, indicou a instituição.

Caso a reestruturação implique de qualquer forma em riscos em demasia sobre a estabilidade financeira, o FMI poderia prescindir dela com a condição que os outros credores públicos possam flexibilizar suas condições de reembolso para oxigenar o país.

Esta opção faz eco às negociações actuais sobre o terceiro programa de ajuda à Grécia, na qual o FMI não quer participar a menos que os europeus suavizem a dívida do país.

Alguns países da União Europeia tinham, em alguns momentos, rejeitado esta possibilidade, assegurando que os tratados europeus lhes proibiam toda redução da dívida. (AFP)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »