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Dois meses depois das legislativas, pouco (ou nada) mudou nas intenções do voto dos portugueses

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Se as eleições legislativas fossem hoje, a coligação PàF voltaria a ganhar. Esta é a conclusão da análise a uma semana de sondagens, que mostra ainda liderança confortável de Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais.

A última semana voltou a ser de sondagens. E apesar de muito se ter passado desde as sondagens realizadas por altura das eleições legislativas, a opinião dos portugueses parece não ter mudado. Não obstante semanas de intensa tensão política, depois da queda do Governo PSD/CDS e formação de um novo Governo através de acordo inédito à esquerda e de uma guerra entre a direita e a esquerda, as sondagens publicadas ao longo da semana mostram que o eleitorado não mudou de ideias.

Numa sondagem publicada esta sexta-feira, 11 de Dezembro, pelo Expresso, é visível a aproximação do Partido Socialista ao PSD, com 33,7% dos inquiridos a responder que votariam PS se as eleições se realizassem agora. Se olharmos para a sondagem publicada pelo mesmo jornal a 1 de Outubro, dias antes das eleições, não há grandes mudanças, dado que, à data, cerca de 32,7% dos portugueses escolhiam o PS. Já 37,7% dos eleitores preferiam a coligação Portugal à Frente.

Na sondagem desta sexta-feira, o Expresso opta por separar as intenções de voto entre PSD e CDS, uma vez que a coligação PàF se desfez e assim aproxima os 33,7% do PS dos 33% do PSD. Mas, se se juntarem os votos dos eleitores, a direita somada continua a ter uma distância confortável face ao PS, com 41% dos votos, sendo que aos 33% do PSD se somam os 8% do CDS. A 1 de Outubro, a mesma conta para a PàF reunia 37,7% da intenção de votos, um valor menor, mais ainda assim a cinco pontos percentuais de distância do PS.

Ou seja, dois meses depois das eleições, o PSD e o CDS juntos continuariam a superar as intenções de voto no PS. No entanto, faz-se uma nova conta. Somando a esquerda, PS, BE e CDU chegam a 51% dos votos. A 1 de Outubro, o mesmo cálculo não ultrapassava os 49%.

Resultado semelhante mostra a sondagem realizada pela Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1, DN e JN. Se as eleições fossem hoje, voltaria a vencer a coligação PàF, com 41% dos votos. O PS também melhorava o resultado, conquistando 34% dos votos (conquistou 32,3% nas eleições), o que equivale a um crescimento de 1,7%. A mesma sondagem acrescenta ainda que cerca de 52% dos inquiridos considera que Pedro Passos Coelho deveria ser o actual primeiro ministro, enquanto apenas 37% atribuiriam a liderança do Governo a António Costa.

As restantes forças políticas mantêm a mesma ordem, com o BE à frente do PCP e a subir ligeiramente nas intenções de voto.

E nas presidenciais?

Também os estudos de opinião sobre as intenções de voto nas eleições presidenciais, que levarão os portugueses às urnas no próximo dia 24 de Janeiro, são unânimes: Marcelo Rebelo de Sousa é o favorito. De acordo com a sondagem de Dezembro da Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã, o ex-comentador recolhe 54,6% das preferências dos 605 inquiridos. Na análise aos resultados da sondagem às eleições de Janeiro, três cenários se destacam: a preponderância de Marcelo enquanto candidato favorito dos portugueses, a proximidade entre Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, e o favoritismo de Marcelo independentemente da cor do eleitorado, incluindo nos eleitores à esquerda.

A mesma sondagem mostra Maria de Belém e António Sampaio da Nóvoa muito longe de Marcelo, embora próximos um do outro. Maria de Belém fica assim em segundo lugar, com 13,4% das intenções de voto mas com uma distância de apenas a 0,2% em relação ao antigo reitor, que conquista 13,2% do eleitorado.

Na sondagem da Universidade Católica para a Antena 1, RTP, JN e DN publicada esta sexta-feira, a vantagem de Marcelo Rebelo de Sousa é ainda maior. O professor catedrático de Direito conquista 62% das intenções de voto nas presidenciais. Nesta sondagem, a ordem do segundo e terceiro candidato inverte comparativamente à da Aximage, com Sampaio da Nóvoa com 15% dos votos e Maria de Belém com 14%, o que mostra a proximidade entre os dois candidatos.

Enquanto na primeira sondagem, Marcelo Rebelo de Sousa conquista o eleitorado à direita e o eleitorado do PS e Bloco de Esquerda, na sondagem da Universidade Católica, o candidato é também o mais nomeado nos eleitores da CDU, conseguindo assim ganhar em todos os partidos com maior representação parlamentar.

A sondagem da Católica mostra ainda que o número de indecisos é maior à esquerda do que à direita. Numa segunda volta entre Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém, o antigo comentador volta a liderar as intenções de voto, com 57%, contra apenas 17% de Maria de Belém, exactamente o mesmo resultado caso o candidato da segunda volta fosse Sampaio da Nóvoa, mostra a sondagem. (Jornaldenegocios)

por Liliana Borges

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