“Liberdade já!” para activistas angolanos volta a ouvir-se em Lisboa

(DW)
(DW)

Um “buzinão solidário” acompanhou, quarta-feira (04.11), mais uma vigília em Portugal, desta vez junto à Embaixada de Angola, em Lisboa, pela libertação dos activistas. Protestos vão continuar até que saiam em liberdade.

“Não temos medo!”. “Abaixo a ditadura”. “Liberdade, Já!”. São slogans ou palavras de ordem que se continuam a ouvir alto nas vigílias em Lisboa e no Porto. Desta vez a concentração foi frente à Embaixada da República de Angola, na capital portuguesa.

A acção de protesto faz parte da “luta pacífica contra a injustiça social” e a favor do respeito pelos direitos humanos, em vésperas do julgamento dos 15 jovens detidos desde Junho, em Luanda. O grupo é acusado de preparar uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

O “buzinão solidário” ecoou pelas 19:15 (hora de Lisboa), em vários pontos do país. Houve apitos, buzinadelas de carros ou quem fizesse apenas barulho. Pedem uma mudança social em Angola e protestam contra as detenções dos que saíram à rua para contestar o regime de José Eduardo dos Santos, sublinha o activista Jorge Silva. “Eles continuam presos, continua a haver repressão e a fazer-se novas prisões. Não há liberdade de expressão, não há democracia em Angola.”

E é a favor da liberdade e da democracia em Angola que diz estar nas vigílias “E vamos continuar. Todo esse processo é um absurdo e deixa Angola numa situação de descredibilidade a nível internacional”, critica o activista.

Segurança reforçada

Os manifestantes querem a libertação de todos os presos políticos e que o Governo angolano respeite direitos fundamentais como a liberdade de expressão, de opinião e de manifestação. Mas também pedem um julgamento justo para os 15 jovens activistas.

A DW África soube também, por intermédio de um dos manifestantes, de movimentações dos serviços de informação do Governo angolano que terão estado a inquirir alguns dos participantes numa das vigílias realizadas em Lisboa. Fonte segura referiu que o Executivo de Luanda reforçou em Portugal o efectivo de segurança por causa dos protestos das últimas semanas.

Com o olhar virado para a Embaixada de Angola, não se falava de outra coisa senão dos 15 jovens detidos. A estes juntam-se Laurinda Gouveia e Rosa Conde, que aguardam julgamento em liberdade provisória, por não terem sido “apanhadas em flagrante delito.”

Casos Mavungo e Arão Tempo

Há também o caso de José Marcos Mavungo, detido há seis meses e condenado, no dia 14 de Setembro, a seis anos de prisão, acusado do crime de rebelião.

A activista Manuela Serrano alerta também para a situação de Arão Bula Tempo, acusado formalmente do crime de tentativa de “colaboração com estrangeiros para constranger o Estado angolano” e também do crime de rebelião. “Arão Tempo, que é bastonário da Ordem dos Advogados em Cabinda, teve um AVC no princípio de Outubro e está farto de fazer requerimentos para o autorizarem a ir tratar-se a Luanda porque sofre de graves problemas de saúde. E passados meses foi-lhe negada a autorização para se deslocar a Luanda”, lembra.

Entre estes, ainda há o caso de Domingos Magno, detido no dia 15 de Outubro por “falsa qualidade”. O activista, com um passe de imprensa, pretendia assistir ao discurso sobre o Estado da Nação na Assembleia da República.

De acordo com os organizadores, as concentrações e vigílias vão continuar todas as semanas, às quartas-feiras, até que os activistas sejam libertados. No próximo sábado (07.11), voltam a chamar atenção para o que se passa em Angola, em frente ao pavilhão Meo Arena, no Parque das Nações, onde grandes nomes da música angolana vão actuar num concerto. (dw.de)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »