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Reduzir custo das operações não tem sido prioridade da Sonangol, diz especialista

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Economista Lagos de Carvalho considera que a petrolífera introduziu no sistema alguns monopólios, em que se destacam as bases petrolíferas, que em sua opinião promovem custos elevados.

A área de controlo de custos foi a que menos bem funcionou, durante os 40 anos de independência do País, pois a Sonangol não tem como prioridade efectiva acompanhar e fazer com que as operações no sector petrolífero sejam menos custo-dispendiosas, considera o economista Lagos de Carvalho.

Falando, na passada semana, numa conferência sobre energia promovida pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola (UCAN), Lagos de Carvalho afirmou que a concessionária nacional introduziu no sistema alguns monopólios, apontando como exemplo as bases petrolíferas, através das quais promove custos operacionais elevados.

“Coloca [a Sonangol] custos portuários e de estadia nas bases petrolíferas muito superiores a qualquer outra operação, que podia ser conduzida por privados e, portanto, são áreas em que devia actuar. Considero ser esta a lição dos 40 anos de independência”, disse. Outra área que não funcionou como devia, apontou, é a formação.

O economista deu conta da existência do decreto 20/82 de 17 de Abril, que vigorou até há pouco tempo, à luz do qual as sociedades ou entidades estrangeiras do ramo petrolífero que operam em Angola contribuíam para um fundo para a formação de quadros do sector que “infelizmente” não foi acompanhado por uma administração autónoma.

“Este fundo acabou por cair num ‘saco roto’, ninguém sabe onde foi aplicado o dinheiro. Não sei se podíamos ter formado mais, se podíamos ter feito melhor, mas era bom saber. Na formação, a conclusão básica é que não conseguimos ter pessoas que realmente assumam a indústria, que sejam capazes de assumir técnica, financeira e estrategicamente as operações”, sublinhou.

A conferência procedeu aos balanços analíticos da evolução e do comportamento dos sectores da electricidade, petróleo e do ambiente nos 40 anos de independência. Para dissertar sobre o tema “tendências do mercado petrolífero internacional”, a organização do evento convidou o CEO da Partex, António Costa e Silva, que defendeu a necessidade de Angola reduzir os custos de investimento e de produção, caso queira continuar a ser um País exportador de petróleo.

Falando aos jornalistas à margem da conferência, o coordenador do CEIC, Alves da Rocha, referiu que a sobrevivência de Angola depende muito da forma como for utilizado o dinheiro do petróleo. “Se não o utilizarmos convenientemente para criar actividades económicas, para que elas próprias gerem rendimentos e permitam manter o PIB per capita, na realidade não estamos a crescer”, frisou.

Alves da Rocha advogou ainda a necessidade de se discutir o termo “diversificação da economia”, que é “muitas vezes associado à substituição das importações e noutras vezes acha-se que é termos mais sectores a funcionar internamente, quando no essencial o processo de diversificação de qualquer economia está na diversificação das exportações e na diminuição do índice de concentração, como é o nosso caso”. (expansao.ao)

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