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Crise no Burkina Faso está longe de ser resolvida

(dw.de)
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O golpe de Estado no Burkina Faso terminou, mas a luta pelo poder continua. Seguidores do ex-Presidente Blaise Compaoré querem manter a sua influência. O Governo de transição tenta evitar que isso aconteça.

O fim do golpe de Estado trouxe de regresso a normalidade. Na capital, Ouagadougou, as pessoas voltaram esta quinta-feira (24.09) ao trabalho. Os bancos, supermercados, postos de abastecimento de combustível reabriram, depois de o general Gilbert Diendéré, que liderou o golpe, entregar o poder às autoridades de transição na quarta-feira (23.09).

Tudo parece bem. No entanto, “o general Diendéré está agora a tentar defender os seus interesses”, alerta Alexander Stroh, professor de Política Africana na Universidade de Bayreuth. “E embora diga que aceitou entregar o poder às autoridades civis, ele apenas o faz na condição de que os seus interesses sejam respeitados”, esclarece.

O Regimento de Segurança Presidencial (RSP), que desencadeou o golpe, foi fundado pelo ex-Presidente Blaise Compaoré, a fim de garantir seu poder e do seu partido, o Congresso para a Democracia e Progresso (CDP). O líder golpista, o general Diendéré, é considerado um homem próximo de Compaoré.

Nova onda de violência

Representantes da sociedade civil no Burkina Faso alertam para uma nova onda violência.

Entre eles está o rapper Smockey, co-fundador do movimento de cidadãos Balai Citoyen, que através de uma forte mobilização popular forçou Compaoré a abdicar do poder, em outubro de 2014, quando se preparava para garantir um quinto mandato através de uma emenda constitucional.

Smockey faz graves acusações contra o CDP, o antigo partido de Blaise Compaoré. “O CDP arma milícias”, acusa. “Há poucas horas, um membro do CDP comprou 50 facões em Ouagadougou e distribuiu-os pelos jovens. Ele deu-lhes muito dinheiro para armarem confusão no país.”

Eleições comprometidas

O golpe de Estado de 17 de setembro comprometeu as eleições agendadas para 11 de outubro e às quais não estavam autorizados a concorrer candidatos próximos do antigo regime. Esse foi, aliás, um dos principais motivos do golpe. Por isso, para o professor Alexander Stroh, o golpe de Estado foi uma manobra para membros ligados ao antigo regime se manterem poder.

“A interdependência dos negócios, da política e os militares durante a presidência de Blaise Compaoré era de tal modo forte que hoje muitos atores têm interesse numa amnistia e os políticos do CDP têm interesse para continuar de alguma forma ligados ao poder”, explica.

A eventual participação de elementos próximos de Compaoré nas próximas eleições é uma questão ainda por resolver. No plano que propuseram para a saída da crise, os líderes da Cominidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) propuseram a amnistia e a participação dos candidatos próximos do ex-Presidente, o que suscitou a revolta da população e, por conseguinte, a mobilização do exército regular.

Outra matéria ainda a resolver é a possibilidade de extinguir a Guarda Presidencial, como pretende o Governo de transição. (dw.de)

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