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BE acusa Passos de transformar a campanha num “gigantesco embuste”

(Foto: Gregório Cunha / Lusa)
(Foto: Gregório Cunha / Lusa)

Catarina Martins diz que primeiro–ministro anda a falar “de um outro país”. “Terra chama Passos Coelho”, ironizou.

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse ontem que a democracia tem mais escolhas além do PSD e do PS, e acusou o primeiro-ministro de estar a transformar a campanha eleitoral num “gigantesco embuste”.

“Eu não sei se será caso para dizer ao senhor primeiro-ministro: planeta Terra chama Pedro Passos Coelho”, ironizou, durante um almoço-convívio com militantes e simpatizante do BE no Mercado dos Lavradores, no Funchal, onde esteve ao lado do candidato às eleições de 4 de outubro pelo círculo da Madeira, Paulino Ascensão.

Nesta campanha eleitoral “tem–se dito de tudo um pouco e há até quem parece que está a falar de um outro país”, disse Catarina Martins, realçando: “Nós ouvimos o senhor primeiro-ministro, agora candidato, Pedro Passos Coelho, afirmar que nunca o Serviço Nacional de Saúde esteve tão capitalizado, nunca a escola esteve tão ao serviço dos jovens, nunca o apoio social foi tão reforçado e até foi mais longe e diz (…) que o Estado social está de boa saúde e recomenda-se.”

A dirigente bloquista considerou que afirmações como estas transformam a campanha eleitoral num “gigantesco embuste à democracia”, sublinhando que o Bloco de Esquerda aposta numa “campanha a sério”, apresentando propostas que “interessam ao país”.

Catarina Martins criticou o discurso que pretende dizer ao eleitorado que está “condenado a optar entre a direita e o Partido Socialista”, como se não houvesse mais alternativas. “Dizem-nos que estamos condenados a aceitar os 600 milhões de euros de cortes nas pensões já para o próximo ano, que propõe a direita, ou a redução das pensões por via do congelamento de 1660 milhões de euros que propõe o Partido Socialista para quatro anos. Dizem que estamos condenados a escolher entre quem fez PPP [parcerias público-privadas] ou quem fez PPP, estamos condenados a escolher entre quem privatizou ou quem privatiza”, explicou, realçando que “a democracia não é assim”.

A porta-voz bloquista e cabeça de lista pelo círculo do Porto afirmou que “a democracia é muito mais forte e tem muito mais escolhas”, considerando que as propostas do BE vão no sentido de “defender o interesse público contra a negociata, contra a promiscuidade, e ser absolutamente intransigente no combate à corrupção”.

Catarina Martins disse ainda que contam mais os votos do que as sondagens, lembrando que o Bloco duplicou a votação nas últimas eleições legislativas regionais na Madeira e elegeu dois deputados.

O cabeça de lista pela Madeira, Paulino Ascensão, afirmou, por seu lado, que a campanha eleitoral na região autónoma está marcada pelo “fingimento” de PSD, CDS-PP e PS, que agem como se não tivessem responsabilidades na situação de crise instalada no país e, no caso dos dois primeiros, como se não fizessem parte do governo da República. “O Bloco de Esquerda está na campanha sem fingimento, com propostas de verdade, dizendo na Madeira o mesmo que diz no país e na Europa”, realçou. Já numa ação de campanha no Porto, Catarina Martins tinha feito uma espécie de autoelogio ao seu partido afirmando que “o BE conseguiu pôr nos debates, nas entrevistas, no centro, a política e não se pôr a falar de abstrações que não diziam nada às pessoas. Esse nosso esforço de falar da vida concreta das pessoas e de apresentar alternativas é reconhecido na simpatia com que somos recebidos e nas pessoas que nos dão alento, força e que nos dizem que vão votar pela primeira vez no Bloco”, disse a porta-voz do Bloco de Esquerda.

A mesma sensibilidade tem o cabeça de lista pelo Porto, que atribuiu à mensagem do BE a aceitação que o partido está a ter: “Quando as pessoas percebem as propostas, reconhecem que o país está mal e percebem que há uma alternativa”, acabam por aderir “a essa ideia de que é possível mudar”. “As sondagens a falar de empates tornam a vida muito mais interessante aos comentadores e aos analistas, mas as pessoas que já vivem há tantos anos com a alternância e que já ouviram tantas vezes a história do empate, se calhar, agora preferem desempatar a sua vida, e há cada vez mais gente a querer construir uma alternativa no país e ainda bem que assim é”, atirou. (DN)

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