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Moçambicanos também discriminam albinos, diz Associação “Amor à Vida”

Jorge Agostinho anda de skate na baixa da cidade de Maputo, Moçambique (Carlos Litulo)
Jorge Agostinho anda de skate na baixa da cidade de Maputo, Moçambique (Carlos Litulo)

A Procuradoria da República de Moçambique quer travar raptos de albinos e já tem um plano de ação. A província de Nampula está a registar um aumento dos casos de tráfico de pessoas, em particular dos albinos.

Há cada vez mais raptos de albinos na província nortenha de Nampula. Muitas vezes, eles já nem se atrevem frequentar lugares públicos, com receio de serem traficados – muitas crianças com albinismo deixaram de ir às aulas.

Adelícia Nicocora é coordenadora provincial da Associação “Amor à Vida”, um organismo composto na sua maioria por pessoas com albinismo: “A questão dos raptos está cada vez pior. Diariamente raptam mais pessoas. Segundo o que acompanhamos, as pessoas são levadas para a Tanzânia, mas tudo funciona numa rede onde os mandantes estão lá e os executantes estão em Moçambique”.

Na Tanzânia e em outros países do Leste da África, muitos albinos são mutilados ou assassinados. Há pescadores que acreditam que, ao usarem cabelo de albinos nas redes, têm mais sorte na pescaria. Há ainda quem use partes do corpo de pessoas com albinismo como amuletos. Mineiros tanzanianos acreditam que o pó de osso de albinos, quando enterrado, se transforma em diamantes.

Número de raptos aumenta

Estas superstições são um dos três grandes fatores que influenciam no tráfico de pessoas com falta de pigmentação.

A coordenadora da Associação “Amor à Vida” revela que “os próprios moçambicanos têm discriminado os albinos. Se fosse o contrário, não os entregariam aos estrangeiros. Finalmente, acho que temos muitos estrangeiros ilegais – isso, também influencia muito.”

Adelícia Nicocora diz que a sua organização já perdeu muitos membros. À Associação “Amor à Vida” chegaram denúncias de que, pelo menos, cinco pessoas caíram nas mãos de sequestradores – só na última semana de agosto. Segundo a polícia em Nampula, de dezembro do ano passado a esta parte, foram registados nove raptos relacionados com o tráfico de pessoas albinas.

A resposta das autoridades

Entretanto, foi reativado um grupo multi-setorial para o combate ao tráfico e à exploração de seres humanos. O grupo é coordenado pela Procuradoria da República em Nampula.

Cristóvão Mondlane, Procurador provincial, diz que a segurança nas fronteiras entre Moçambique, Tanzânia e Malawi será reforçada e serão também realizadas campanhas de sensibilização. Ele diz que “os traficantes não estão só à procura dos albinos, estão também à procura de pessoas sem esta deficiência.”

E o Procurador provincial promete: “O nosso objetivo é encontrar estratégias de acabar com isso. Uma das ações fundamentais que temos que realizar em breve é a criação e publicação de “spots” publicitários nas Rádios Comunitárias.”

Também o Governo criou esta semana uma comissão multi-sectorial para propor medidas de contenção de crimes contra albinos e de proteção a este grupo. (dw.de)

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