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Dívidas e garimpos ‘roubam’ metade da facturação da EPAL

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Água potável (dw.de)
Água potável (dw.de)

Empresa recebe apenas cerca de metade do que devia todos os meses, admite PCA. Dívidas de clientes ascendem a 170 milhões USD.

A EPAL é credora de cerca de 170 milhões USD (perto de 21,5 mil milhões Kz) junto dos clientes, afirma o presidente do conselho de administração da empresa responsável pelo abastecimento de água a Luanda. Em causa, segundo Leonídio Ceita, estão facturas por cobrar e multas aplicadas por incumprimento nos pagamentos.

Metade da receita da companhia, diz o gestor, perde-se todos os meses por causa do não pagamento da água por parte dos clientes, a que se soma o garimpo, à revelia da empresa. De acordo com Leonídio Ceita, que falou aos jornalistas no final da semana passada, à margem do V Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, a empresa deveria ter uma facturação mensal na ordem do equivalente em kwanzas a cerca de 4 milhões USD.

Mas só metade entra nos cofres da companhia. A EPAL, revela o gestor, vai trabalhar com 13 empresas estrangeiras, no sentido de combater o garimpo de água ao longo das condutas através da aplicação de um sistema de protecção electrónica que garante a vigilância, que será feita em tempo real.

Nos últimos tempos, diz Leonídio Ceita, a empresa tem registado novos garimpos na Rua Brasileira, Bairro Capalanca, em Viana, e nas quinta, sexta e sétima avenidas, no município de Cazenga. A água proveniente do garimpo, alerta o gestor, não está tratada, pelo que é “imprópria para consumo humano”.

Nos planos da EPAL está ainda pôr termo a desequilíbrios verificados em termos de pagamentos em algumas zonas. Segundo o gestor, os munícipes do Cazenga, por exemplo, “gastam 6 mil Kz por mês”, apesar de nem sempre terem abastecimento 24 por dia.

Na Centralidade do Kilamba, por seu turno, onde há sempre água, a factura mensal dos habitantes oscila entre 450 e 1.600 Kz mensais, diz o PCA, que defende um aumento do preço.

‘Água para todos’ novamente adiado

Entretanto, o projecto de construção de 700 mil ligações domiciliárias até ao final deste ano apenas estará concluído em Abril de 2016, disse o gestor.

O projecto, integrado no programa do Governo ‘Água para Todos’, foi lançado em 2012, com um investimento previsto de 400 milhões USD, mas a EPAL tem vindo a admitir atrasos atribuídos a constrangimentos, principalmente por parte de empresas contratadas para a sua execução.

De acordo com o site da EPAL, o programa tem como empreiteiras as empresas chinesas Sinohydro e Guanxi. Entretanto, a vice-governadora da província de Luanda para a área de Política Social, Jovelina Imperial, lançou um apelo no sentido da “monitorização e controlo da qualidade da água para consumo”, assim como no “aperfeiçoamento da facturação, fiscalização e cobrança de consumo”.

O ministro da Energia e Águas defendeu que é necessário “apostar na formação de quadros do sector, no quadro do processo de reestruturação e na melhoria da qualidade dos serviços prestados a nível do País”, reconhecendo a “insuficiente capacidade técnica e humana no subsector das águas ainda existente em grande parte das províncias”.

João Baptista Borges explicou que, no âmbito do processo de reestruturação do subsector das águas – que passa pela criação de empresas provinciais para gerir os sistemas que estão a ser reabilitados e construídos nas sedes provinciais e municipais – em cada projecto de infra-estrutura deverá existir uma componente de formação. O ministro também defendeu a necessidade de melhoria da gestão e organização das empresas da área da energia, assim como da qualidade na prestação dos serviços. (expansao.co.ao)

por Osvaldo Manuel

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