Líder separatista russo é processado por queda de avião da Malaysia Airlines na Ucrânia

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Os familiares dos passageiros mortos no voo MH17 da Malaysia Airlines abriram um processo nos Estados Unidos contra o ex-chefe separatista russo Igor Strelkov, a quem acusam de ter derrubado o avião no leste da Ucrânia há exactamente um ano.

A parte civil reclama a indemnização no valor de 850 milhões de dólares desse ex-coronel do FSB (ex-KGB) e líder da maior parte das forças separatistas durante os primeiros meses de conflito em Kiev, e que foi destituído de seu cargo em Agosto de 2014.

No total, são 17 vítimas, a maioria de holandeses e britânicos, representados por seus familiares, que exigem 50 milhões de dólares cada um, afirmou à AFP o principal advogado das famílias, Floyd Wisner.

De acordo com o processo aberto em Chicago, Igor Strelkov, cujo nome de nascimento é Igor Guirkine, é acusado de ter “ordenado, ajudado e/ou motivado este ato e/ou conspirado junto com as pessoas que lançaram o míssil” contra o Boeing 777, que viajava de Amesterdão para Kuala Lumpur.

“O voo MH17 sobrevoava o espaço aéreo da zona, onde os rebeldes faziam guerra e, sob responsabilidade do comandante Guirkine, derrubaram o Boeing 777-200 da Malaysia Airlines”, indicam os documentos do processo.

Os 298 passageiros e membros da tripulação a bordo do aparelho morreram e uma investigação internacional está em curso para estabelecer as causas do acidente.

Kiev e as potências ocidentais acusam os separatistas pró-russos na Ucrânia de terem usado um míssil terra-ar, fornecido por Moscovo, que, por sua vez, responsabiliza o exército ucraniano pela tragédia.

“Este processo é o sintoma profundo de que a vida das vítimas não vale mais que dinheiro para seus familiares”, denunciou Guirkine em um comentário na internet.

Malásia, Holanda e outros países pediram à ONU que crie um tribunal especial para julgar os responsáveis da queda do avião, uma opção rejeitada por seu delegado no Conselho de Segurança, que apresentou seu veto, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, que considerou a proposta “contraproducente”.

“Putin explicou a posição russa sobre a iniciativa prematura e contraproducente de vários países, entre eles a Holanda, de criar um tribunal para processar os responsáveis pela catástrofe aérea”, declarou o Kremlin depois de uma conversa telefónica entre o presidente russo e o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

“Antes de colocar em andamento um mecanismo judicial e levar ante a justiça os culpados deste crime, é preciso terminar a investigação internacional que deve ser minuciosa e objectiva, independente e imparcial”, afirmou Putin, citado no comunicado do Kremlin.

A agência federal russa da aviação, Rosaviatsia, difundirá nesta quinta-feira as primeiras conclusões da investigação realizada sobre o Boeing 777 da Malaysia Airlines, derrubado em 17 de Julho de 2014 no leste da Ucrânia, em uma zona próxima da linha de frente entre as forças ucranianas e os separatistas pró-russos.

Pouco depois da catástrofe aérea, o Conselho de Segurança da ONU adoptou a resolução 2166, que pede que os responsáveis “prestem contas e que todos os Estados cooperem plenamente para estabelecer as causas do ocorrido”. (afp.com)

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