Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

Regresso ao tempo colonial numa ficção filmada em Moçambique

0
(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Margarida Cardoso filma os restos do passado colonial em Yvone Kane: histórias que têm a ver com a memória portuguesa, mas tudo acontece num país abstracto. Esteve à conversa com João Lopes.

A abordagem da herança colonial em Yvone Kane combina a realidade mais crua com o artifício da ficção – porquê essa opção?

Tem a ver com a relação entre ficção e documentário. As pesquisas que faço para os meus documentários acabam por impregnar toda a realidade. Embora Yvone Kane seja uma ficção, o filme ficou marcado pelo facto de estar envolvida num projeto (que não está concluído) sobre Sita Valles, uma antiga militante do Partido Comunista que, em Angola, foi acusada de uma tentativa de golpe de Estado, tendo sido morta em 1977 – é um episódio muito violento que estudei durante muitos anos. Além do mais, a minha relação com Moçambique fez que tomasse consciência de que estava a tentar desenterrar coisas, dar forma ao passado… Dei-me conta de que havia um tempo que estava a acabar: a relação ideológica com África estava a desaparecer à minha frente.

Como se houvesse uma ameaça de perda de memória?

O que me levou a querer fazer um filme que se passasse no presente. Daí que o país em que se passa Yvone Kane não tenha nome. Quero falar de um tempo cuja génese foi o colonialismo e que, em vários países, gerou situações de extrema violência e guerras civis – é uma espécie de dor colonial que tem a ver com sociedades que parece não terem maneira de ser reparadas, de tal modo tantas coisas correram mal. Não me interessava dizer que aquele país “é” Moçambique ou a Yvone “é” Josina Machel… Interessavam-me figuras mais abrangentes, quase sem origem: não sabemos se a Rita, a personagem da Beatriz Batarda, vem de Portugal; e a Irene Ravache, que interpreta Sara, a mãe, sabemos que é brasileira, mas no filme fala uma língua que parece eslava, impossível de identificar… (dn.pt)

Veja aqui o trailer do filme:


Filme de Margarida Cardoso. Com Irene Ravache, Beatriz
Batarda, Gonçalo Waddington, Mina Andala, Samuel
Malumbe. Portugal / Brasil / Moçambique, 2014. 112 min

Deixe uma comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »