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Maçons: Da caridade discreta às influências indesejadas

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Um dos pilares mais importantes da maçonaria é a solidariedade. Os maçons apoiam diversas instituições sociais, mas nem assim se livram de escândalos ligados a favorecimentos e conspirações menos próprias

A maçonaria apoia, todos os anos, dezenas de associações. Mas as instituições contempladas – quase sempre ligadas à área social – raramente sabem de onde vem o dinheiro. O esquema usado para pôr em prática um dos principais pilares dos ideais maçónicos – a caridade praticada de forma discreta – não varia muito de obediência para obediência: os maçons começam por fazer um levantamento de associações e IPSS cujo trabalho social seja relevante. “Inicialmente há uma lista de dez ou 11 instituições”, revela um maçon. Depois é averiguada a situação financeira de cada uma e os apoios públicos ou privados de que dispõem. Feita essa análise, sobram duas ou três associações contempladas em cada loja.

No caso da Grande Loja Simbólica de Portugal, é frequente os maçons juntarem dinheiro para doar a IPSS, mas o cheque é entregue por um único irmão, que se apresenta a título pessoal. Os “subsídios” podem chegar aos 2 ou 3 mil euros mensais, atribuídos muitas vezes por tempo indefinido. O grão-mestre, Pedro Rangel, garante que as associações apoiadas são escolhidas pela “qualidade do seu trabalho” e não porque tenham “ligações” aos irmãos.

Apesar de discreto, o trabalho benemérito é uma das faces mais visíveis da maçonaria no mundo profano. Entende-se que o bom maçon deve trabalhar no melhoramento e no aperfeiçoamento constante do seu “templo interior” – o seu “eu”. Mas, ao mesmo tempo, também deve contribuir para o aperfeiçoamento do “templo exterior” – contribuindo assim para a evolução da sociedade.

Na corrente liberal, a que o Grande Oriente Lusitano (GOL) pertence, a componente da caridade tem menos peso que noutros ramos maçónicos. “Embora a maçonaria tenha sempre essa tradição de filantropia e solidariedade”, explica o grão- -mestre. O GOL tem, aliás, instituições filantrópicas, como o Internato de S. João, fundado no século xix. A IPSS recebeu, durante décadas, raparigas provenientes de famílias disfuncionais retiradas aos pais pelos tribunais. Em 2002 albergava 23 crianças e adolescentes, mas há dois anos a sua esfera de intervenção mudou: foi transformada numa residência universitária e em breve irá acolher uma unidade de cuidados intensivos.

O ex-grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal José Manuel Anes fala de outro tipo de apoios: bolsas de estudo atribuídas por lojas maçónicas a jovens com dificuldades económicas. Ressalvando, no entanto, que a filantropia da maçonaria portuguesa “não é comparável” com a existente em países como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

tráfico de influências? Os maçons podem até morrer simbolicamente para o mundo profano aquando do ritual de iniciação, mas continuam a viver na sociedade. E a maçonaria é obrigada a mover-se no mundo, através da filantropia e da acção dos seus membros – que constituem uma fraternidade e têm um dever especial de protecção.

Qualquer maçon garantirá que este princípio de entreajuda é nobre e natural, mas o certo é que a fronteira com o favorecimento ilícito é por vezes demasiado ténue – sobretudo tendo em conta que muitos maçons ocupam cargos de relevo em praticamente todos os sectores da sociedade.

Do caso da Universidade Moderna à polémica da loja Mozart, de tempos a tempos os maçons ocupam as páginas dos jornais pelas piores razões. E frequentemente a maçonaria é associada a uma espécie de mão invisível capaz de controlar a política e o mundo dos negócios. No caso da Assembleia da República – onde dezenas de maçons têm assento -, o assunto já foi levantado várias vezes por deputados e ex-deputados, como Henrique Neto.

O antigo dirigente socialista confessou publicamente que, a dada altura do seu mandato como deputado no tempo de António Guterres, começou a perceber que algumas posições “inexplicáveis” assumidas por determinados deputados residiam no facto de estarem ligados à maçonaria. “Há sempre uma quota de pessoas nas candidaturas que não se percebe o que estão ali a fazer, mas a gente sabe quem são”, afirmou Neto, acusando a maçonaria de funcionar como “uma espécie de agência de emprego”, que aproveita o “secretismo para eleger pessoas para alguns cargos do Estado”. Também Ana Benavente, que foi deputada e dirigente socialista, já falou de “um mundo subterrâneo, muito poderoso e que não se assume à luz do dia”. Ultimamente, Teresa Leal Coelho, vice-presidente do PSD, tem sido das vozes mais críticas contra a presença da maçonaria na política, defendendo que os maçons devem revelar-se enquanto tal. “Não toleramos que o interesse público seja suplantado por interesses privados, como a maçonaria”, avisou em 2011. E, no ano passado, contou até que terá sido ameaçada de morte na caixa de comentários de uma notícia com o título “PSD ameaça obrigar políticos a declarar filiações secretas”.

Os grão-mestres da maçonaria negam o envolvimento das suas obediências na política, na economia ou na justiça e garantem que a ordem não tem assento em nenhuma instituição. Os maçons é que têm e os bons sabem que devem ser justos. Além disso, queixam-se de injustiça na forma como a maçonaria é tratada na opinião pública. “Do que se fala é de alguns acidentes infelizes, mas a esmagadora maioria dos maçons são pessoas correctas”, garante José Manuel Anes, ex-grão mestre da Grande Loja Legal. Fernando Lima, grão-mestre do GOL, assina por baixo: “Isto é um problema de inconsciente colectivo, as pessoas gostam muito de teorias da conspiração.” (ionline.pt)

por Rosa Ramos

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