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Livro sobre vida sexual de Maomé provoca debate na Dinamarca

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 Kåre Bluitgen (Foto: JACOB EHRBAHN)
Kåre Bluitgen (Foto: JACOB EHRBAHN)

Os atentados ocorridos duas semanas atrás em Copenhaga não foram suficientes para intimidar o escritor Kåre Bluitgen, que lança nesta sexta-feira (27) um romance satírico cujo cenário é o mundo religioso do século VII. Entre outros assuntos, a obra trata da vida sexual do profeta Maomé.

O livro será lançado sem grande alarde porque o autor não costuma fazer eventos de lançamento. A obra já está à venda na internet. Mas, embora não contenha caricaturas, é de se esperar que cause polémica porque, entre outros assuntos, Kåre Bluitgen faz um relato romanceado do que teria sido a “vida sexual malsucedida” de Maomé.

A obra se chama “O Melhor Livro” (“Den bedste bog”, em dinamarquês) e é uma mistura de romance histórico, sátira religiosa e história de amor. O cenário é a cidade de Meca, actualmente parte da Arábia Saudita. O próprio Bluitgen descreve o livro como “imprevisível, gracioso e às vezes um pouco chato”.

Há quem considere o livro uma provocação aos muçulmanos, mas de modo geral, os dinamarqueses já estão acostumados ao trabalho polémico de Bluitgen. Provavelmente esse novo livro nem chamaria tanto a atenção se não fosse pelos ataques em Copenhaga e Paris.

Obras do autor

Vale a pena lembrar que Bluitgen é o autor do livro que deu origem à crise causada pelas caricaturas de Maomé dez anos atrás. Na época, ele havia escrito uma obra sobre a vida de Maomé, mas não conseguiu encontrar nenhum desenhista interessado em ilustrá-lo.

O jornal Jyllands Posten encarou o desafio e convidou os chargistas do país a publicarem caricaturas do Maomé em suas páginas. O convite foi aceito, doze caricaturas foram publicadas e o resultado foi uma crise diplomática internacional e demonstrações contra a Dinamarca em diversos países muçulmanos.

A obra de Bluitgen inclui livros infantis e frequentemente trata de assuntos religiosos ou relacionados aos países em desenvolvimento. Maomé, o Corão e o Islão são temas frequentes de seu trabalho. Para ele, é necessário escrever e falar sobre assuntos tabus, como a vida de Maomé, para ajudar a desmistificar e modernizar o Islão.

Vários livros do autor foram traduzidos para diversos idiomas como inglês, alemão, holandês, coreano e árabe, mas ele não tem previsão de quando o seu novo trabalho será lançado em outros países. Aliás, ele teve dificuldades para lançar a obra na Dinamarca e acusa as editoras do país de temerem publicar obras com críticas religiosas. É por isso que há vários anos ele mesmo banca a impressão de seus livros.

Medo de novos ataques

O temor de novos atentados existe e continua sendo um tema de debate na sociedade e no Parlamento dinamarquês, que discute medidas para fortalecer o serviço de informações a polícia na luta contra o terrorismo.

Esta semana, os pais das crianças de uma escola judaica em Copenhaga pediram à primeira-ministra Helle-Thorning Schmidt que o governo mantenha a protecção policial à escola enquanto houver risco de um novo ataque terrorista. Mas ninguém sequer levanta a possibilidade de censurar uma obra literária como medida de segurança ou para prevenir atentados terroristas. Os dinamarqueses se mantêm unidos na defesa da liberdade de expressão.

Apesar disso, alguns fatos nas últimas semanas têm acrescentado nuances novas à discussão. Dias depois do atentado em Copenhaga, um jovem muçulmano publicou em sua página do Facebook a frase “Je suis Omar” ou, em português, “Eu sou Omar”. Ele se referia ao atirador que matou duas pessoas e que foi morto pela polícia dinamarquesa em Copenhaga, quase duas semanas atrás. O autor da mensagem se referiu ao atirador como “irmão” e escreveu que desejava que ele encontrasse descanso na morte.

A mensagem foi considerada ofensiva por muitos dinamarqueses, que a viram como um desrespeito à memória das vítimas do atentado. O caso foi denunciado à Procuradoria-Geral da Dinamarca que esta semana se pronunciou inocentando o rapaz autor da mensagem. Segundo o procurador-geral da Dinamarca, a mensagem não era criminosa porque, mesmo que tenha ofendido algumas pessoas, não exprimia apoio ao atentado.

Liberdade de expressão

Ao mesmo tempo, o debate sobre a liberdade de expressão ainda domina a mídia dinamarquesa. Cronistas, jornalistas e políticos se dividem entre a defesa do exercício absoluto da liberdade de expressão e considerações sobre a necessidade de respeito às minorias religiosas. No calor do debate, os que defendem a liberdade de expressão acima de tudo estão sendo apelidados de “fundamentalistas da liberdade de expressão”. (rfi.fr)

por Margareth Marmori

 

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