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Jovens negros morrem desproporcionalmente no Brasil
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Jovens negros morrem desproporcionalmente no Brasil

(REUTERS)

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A indiferença do Brasil com o grande número de mortes de jovens negros leva a Amnistia Internacional a lançar uma campanha para chamar a atenção da sociedade e exigir políticas públicas que possam reverter essa realidade preocupante.

Todos os anos, mais de 30 mil homens negros, entre 15 a 29 anos, são assassinados no Brasil. Com a campanha Jovem Negro Vivo, a Amnistia Internacional quer que os brasileiros e autoridades deixem de fechar os olhos para o número alarmante de mortes de afrodescendentes no País.

O assessor de direitos humanos da Amnistia Internacional, Alexandre Ciconello, afirma que o brasileiro é indiferente com as mortes porque as vítimas são negros pobres. “Há uma grande indiferença em razão de quem está morrendo e também pelo fato desse número estar crescendo a cada ano. Isso vem provocando indiferença, uma certa naturalização da sociedade com relação a essas mortes,” afirma.

Alexandre lembra que o pano de fundo para toda essa indiferença com as mortes de afrodescendentes é o racismo brasileiro, manifestado em várias facetas. “Se a gente pega todos os indicadores sociais entre população negra e branca acesso à saúde, educação e mercado de trabalho a gente vê essa desigualdade acontecendo. No caso da violência, por exemplo, as abordagens policiais são mais severas e violentas com os jovens negros. Até a faceta do racismo que é a indiferença. Não me interessa, isso não me importa, o destino deles não é entrar em uma universidade e ter uma vida estruturada. O destino deles pode ser a morte. Então, é uma indiferença que faz com que a situação permaneça e vem se agravando nos últimos anos”.

O representante da Amnistia lembra que a guerra às drogas também acabou virando uma guerra às juventudes das periferias das grandes cidades do país. “Isso faz com que operações policiais, toda a política de segurança seja focada nessa guerra que, em geral, acaba deixando as pessoas que vivem em territórios onde você tem o tráfico em posição muito vulnerável. Você não tem uma protecção efectiva para as pessoas que vivem nesses locais”.

O apoio à campanha da Amnistia, que chama a atenção para as mortes de negros jovens no Brasil, pode ser feito pela internet. Os organizadores da iniciativa entregam um manifesto ao governo nos próximos meses. “Tem uma petição online. A gente está sugerindo que as pessoas entrem na página da Amnistia, conheçam os materiais da campanha e assinem. Esse manifesto é a gente dizendo basta de homicídios, chega de homicídios no país, queremos ver os jovens vivos e está pedindo para as autoridades desenvolver política de redução de homicídio. (voa.com)

por Maria Cláudia Santos

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