Diversificação da economia passa pela mudança das mentalidades

Francisco Viana - Presidente da Associação Empresarial de Luanda (Foto: Joaquina Bento)
Francisco Viana – Presidente da Associação Empresarial de Luanda (Foto: Joaquina Bento)

O presidente da Associação Empresarial de Luanda, Francisco Viana, defendeu hoje, sexta-feira, na capital do país, que o processo de diversificação da economia angolana deve passar, fundamentalmente, pela mudança das mentalidades dos cidadãos.

Segundo o responsável, que falava em entrevista à Angop, sobre o processo de diversificação da economia em curso no país, o angolano deve abandonar a mentalidade rendeira e afirmar-se como o dono e senhor do seu próprio negócio.

“ A grande mudança na nossa economia deve ser nas mentalidades, uma coisa é a mentalidade rendeira, ou seja, o angolano tem uma loja e ao invés de desenvolver um negócio, prefere arrendá-la a um estrangeiro e é este quem vai facturar, de facto”, frisou.

Essa mentalidade de viver da renda, argumentou, não é a mais adequada para um país com as ambições que Angola tem.

Francisco Viana é de opinião que os angolanos devem primar por uma mentalidade empreendedora, que vai levar a uma diversificação efectiva da nossa economia.

Na mesma senda, referiu que ao se lançar no mercado, deve-se primar pela afirmação da capacidade produtiva e da qualidade dos produtos, ganhando assim naturalmente espaço neste mesmo mercado pelo que são e, deixando de lado os pressupostos, que em nada abonam para uma verdadeira economia liberalizada.

“ Temos que ter capacidade de competir com os outros e não criar barreiras artificiais que criem obstáculos a uma verdadeira liberalização do mercado”, enfatizou.

De igual modo, advogou que quando se fala em diversificação da economia, tem que se levar em conta a abertura que vai ter de haver ao nível da África Austral.

Na sua óptica, não podemos olhar, por exemplo, para a África do Sul, e dizer que se nós nos fecharmos eles nunca vão entrar no nosso mercado, pois, não é verdade. “Eles vão acabar por entrar, uma vez que o nosso mercado, quer queiramos ou não, vai acabar por se liberalizar”, sublinhou.

O presidente da AEL é de opinião que os empresários angolanos têm que se preocupar em produzir produtos de qualidade, sabendo que vão ter de competir, de igual, com indústrias de outros países que estão a espreita.

“Devemos produzir a um preço e a uma qualidade que nos faça vender os nossos produtos no nosso território”, defendeu.

Francisco Viana reafirmou que a diversificação é o caminho, lembrando que já em 2008, o governo havia avançado com essa proposta, devendo agora todos os angolanos trabalhar para se acelerar esse processo, ciente de que o mesmo não é tão simples como parece.

A grande aposta da diversificação, destacou, deve ser também fazer funcionar a nossa agricultura, de maneira que a gente possa transformar os produtos produzidos.

A nível dos diamantes, realçou, somos um dos maiores produtores do mundo, mas não temos uma lapidação significante, o sector ainda está fechado.

“ As nossas meninas das Lundas deviam ser especialistas em lapidação e ao invés de vendermos o diamante ao “preço da chuva”, venderíamos já jóias acabadas, e todo mundo sabe que o povo daquela região é dos maiores artesãos que a África tem, faltando a formação em lapidação”, disse.

Considerou ser necessária a aposta nas micro, pequenas e médias empresas, porque além de ajudarem na diversificação da economia, criam muitos postos de trabalho, como acontece nos países desenvolvidos.

“ Devemos pegar nestes empreendedores, legalizá-los, formá-los, para terem acesso a fundos do estado, como o AngolaInveste, que é um programa de nível internacional e que muitos países gostariam de ter”, sustentou.

Concluiu que deve também haver uma mudança de política e filosofia a nível das autoridades aduaneiras, de maneira a facilitarem a entrada de matéria-prima para se alavancar a indústria nacional, reduzindo alguns impostos. (portalangop.co.ao)

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